ACM critica tentativa de aproximação de FHC com Itamar
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Cláudia Carneiro e Rosa Costa 
Brasília, 10 (AE) - O aceno do presidente Fernando Henrique Cardoso ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), articulado pelos ministros do PMDB, com a ajuda do ministro tucano das Comunicações, Pimenta da Veiga, foi duramente criticado pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Para ACM, Fernando Henrique está perdendo a autoridade, ao enviar a Minas Gerais emissários, que, na verdade, representam o PMDB de Itamar.
ACM negou-se a comentar o isolamento político do governador mineiro, mas revelou o juízo que faz de Itamar: "É péssimo", disse ele.
"Eles (os três ministros do PMDB que vão ao encontro de Itamar Franco) não representam o presidente e acho que o presidnete tem de manter sua autoridade", opinou ACM. "A credibilidade passa pela autoridade e a autoridade se presta ao diálogo, mas (ele) não pode nunca perder sua feição de presidente da República", continuou. Para ACM, Fernando Henrique deve tratar do assunto pessoalmente com Itamar.
O presidente do Congresso vê a ação dos ministros peemedebistas como uma tentativa de "trazer o governador de Minas para o seio do governo".
"Eles vão como membros do partido para conversar com Itamar, mas não têm a oposição do presidente, contrapôs o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). "O governo de Minas já começou encrencando com o governo federal, mas é bom conversar e ver pontos de entendimento", defendeu o ministro da Saúde, José Serra (PSDB). "Se eles vão (a Minas Gerais) em nome do presidente, evidentemente que não há perda de autoridade", ressaltou Veiga.
Os articuladores da aproximação de Fernando Henrique com Itamar avaliam, entretanto, que as novas ações interpostas na Justiça pelo governador mineiro podem criar novo embaraço no início de negociação. "Por isso, é muito importante essa conversa com os ministros; é fundamental tentar uma aproximação porque esta questão não há de ser político-partidária, mas federativa", observou Temer.


