Brasília, 14 (AE) - Depois de sair de uma conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso convencido de que "as taxas de juros vão cair mais e mais", o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou o que entende ser a "fracassomania" dos economistas mundiais e brasileiros. ACM disse que não se continha diante desse assunto e que portanto iria comentar o que entende ser "o fracasso da previsão dos economistas". "Eu não gostaria de dizer, mas digo", afirmou. "Diante do fracasso das previsões dos economistas mundiais e brasileiros, todo mundo agora vai usar os economistas com parcimônia".
Segundo ele, as taxas de juros no País vão chegar a um patamar normal para o crescimento da economia brasileira. "Já estamos sentindo o crescimento e a reabilitação dos indicadores econômicos", defendeu. O senador reconheceu que com as taxas elevadas, como estavam desde outubro, a economia brasileira não podia crescer. Ele disse que o desempenho da economia no País foi um dos assuntos nos encontros do presidetne Fernando Henrique Cardoso nos Estados Unidos. ACM observou que o presidente teve "um grande êxito, como sempre acontece, nessas viagens ao exterior", a ponto de ser homenageado pela recuperação econômica do País.
"Ele (o presidente) acha que é imbatível nesse tipo de representação do Brasil", afirmou. "Acho que o presidente de nação nenhuma o supera nesse tipo de viagem, que é muito importante para a imagem do Brasil no exterior". Também o presidente e líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA), cobrou explicações dos economistas sobre "as previsões catastróficas" que fizeram sobre a economia brasileira. "Ao contrário do que previam, passamos pelos traumas da crise de forma surpreendentemente boa", reconheceu. "Que explicações têm os economistas que fizeram previsões catastróficas", questionou o líder.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), comparou as orientações sobre a necessidade de um longo prazo para a economia se reerguer a "previsões astrológicas de fim de ano". "Os economistas acabaram por generalizar as teorias, mas o Brasil não é o México", afirmou. Para o senador, o País tem que ter cautela e "não pecar por otimismo". Segundo ele, a recuperação total da economia só vai acontecer quando for feita a reforma tributária e quando houver o controle dos gastos públicos". O senador defendeu que a Lei de Responsabilidade Fiscal, que está na Câmara, é fundamental para alcançar essas metas. "É preciso garantir esses pontos para que a onda de otimismo não morra na praia e seja, como os economistas chamaram, uma bolha apenas", concluiu.

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