Brasília, 08 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que vai apresentar "de hoje para amanhã" um levantamento para provar que São Paulo é o Estado que mais recebe recursos do governo, ao contestar o fato de o governador Mário Covas se sentir preterido na repartição de verbas federais e na obtenção de financiamentos externos. ACM disse que, se comparado aos repasses feitos aos demais Estados, o favorecimento a São Paulo na distribuição de verbas "é praticamente um escândalo". "Mas é do hábito do governador Mário Covas ficar turrão e chorar para obter mais recursos da equipe econômica", afirmou.
Para o senador, a tática do governador tem dado certo, "embora seja espoliativa em relação aos outros Estados". "A equipe econômica, não é o presidente da República, não, treme quando o Covas chora e grita", observou. Para ACM, o governador de São Paulo precisa ver as dificuldades de outros Estados . "Ele não vê nenhuma e vai levando, rindo por dentro." O senador deu a entender que o levantamento que apresentará vai conter dados sobre repasses diretos e indiretos feitos para São Paulo, incluindo as antecipações de receita da privatização. "Dentro de pouco tempo, vou mostrar aos paulistas quanto o governo Covas recebeu", anunciou. Segundo ele, a Fepasa foi entregue por R$300 milhões e recebeu R$2 bilhões.
"Mário Covas, no íntimo, pensa que manda no governo, mas não é verdade", afirmou. "Eu mando 10 vezes menos do que ele, mas quem manda muito mais é o Serra (ministro da Saúde)". Depois, ironizou ao dizer que Covas é um bom governador. "E apesar de ter quase a minha idade, ele é ainda uma esperança para São Paulo e o País."
O governador criticou, terça-feira, o que entende ser os efeitos do "alto prestígio" de ACM na rapidez da liberação de empréstimos para a Bahia e os "burocratas" do governo, entre os quais incluiu o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. O senador disse que a vantagem da Bahia vem do fato de se tratar de um Estado "organizado há muito tempo e com bons administradores". "Que culpa tenho eu se falta isso a São Paulo?", perguntou. Ele rebateu a colocação de Covas, de que São Paulo é um bom pagador, alegando que a tradição mostra o inverso, que o Estado mais rico da federação é um mau pagador. "Eu não diria como na minha campanha de 90, que aí seria um exagero, mas o povo paulista pode dizer tá faltando homem aí, doutor", provocou, referindo-se ao tema de sua campanha política daquele ano.
O presidente do Senado admitiu o direito de Covas "até chorar, para obter mais recursos, mas precisa ser mais inteligente e chorar como Garotinho (governador do Rio de Janeiro), que chora sorrindo". Na avaliação de ACM, a desvantagem de São Paulo em relação a Bahia está nas pessoas que conduzem a administração do Estado. "Que culpa tenho eu se a Bahia tem o prefeito Antonio Imbassay e São Paulo tem o Pitta?"
perguntou. "Que culpa tenho eu da Febem?". Para o senador o governador deve, sim, é reclamar do fato de "carregar nas costas" problemas como o dos menores infratores da Febem e outros que poderiam ser bem conduzido por secretários competentes.

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