Brasília, 05 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), deixou claro hoje, na reabertura dos trabalhos extraordinários do Congresso, que vai insistir para a equipe econômica do governo rever a posição contrária ao reajuste de salário dos servidores públicos. ACM disse que também os trabalhadores da iniciativa privada merecem ser melhor remunerados, mas não especificou se isso ocorreria a partir do aumento do salário mínimo. Para o senador, "o nível salarial atual é aviltante e não pode continuar".
Ele declarou-se convencido de que o presidente Fernando Henrique Cardoso vai tratar desse assunto. "Pode ser que não agora, mas em 1.º de maio", previu.
ACM disse que questões dessa natureza, capazes de atender às expectativas com relação à melhoria das condições sociais do País, devem ter prioridade este ano. "Este é um ano de chamar a atenção não só do governo federal, mas também de vários Estados, no sentido de adotar um novo nível salarial", destacou. O senador deu por encerrada o bate-boca indireto com Fernando Henrique, por meio de entrevistas, em que contestavam a forma do outro agir politicamente.
"Não houve confronto", minimizou. "Tenho pelo presidente o maior respeito e ele tem por mim também respeito." ACM disse que até prefere o novo estilo do presidente. "Acho que ele está falando bem", defendeu. "É a maneira de se falar e eu reclamo que ele falasse assim há mais tempo."
Ele afirmou que é favorável a mudanças para reduzir os encargos trabalhistas, mas alegou que não pode comentar a proposta preparada pelo governo - na qual estaria o fim do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) - antes de a conhecer. ACM foi irônico quanto ao fato de o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), ter chamado Fernando Henrique de "anfótero". "O Itamar foi buscar uma palavra difícil", constatou. "Mas, de qualquer maneira, nós aprendemos (a palavra) e isso é bom." Anfótero é o que reúne em si duas qualidades opostas.