Brasília, 19 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), tentará obter o apoio dos magistrados à criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar irregularidades no Poder Judiciário, no discurso que fará na quinta-feira (25). Ele vai dizer que quer fortalecer o Judiciário e que a CPI tem por alvo não a instituição, mas os juízes e outros profissionais do poder que agem desonestamente.
ACM passou a maior parte da manhã de hoje trancado no gabinete com assessores, fazendo os preparativos de oficialização da CPI.
No requerimento de criação da comissão, o senador vai fundamentar a investigação em quatro ou cinco episódios ocorridos no Judiciário, suspeitos de corrupção. O método é o que foi usado até agora nas demais comissões investigativas do Congresso. A CPI que investigou o esquema de corrupção montado pelo ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, o PC - e que resultou no impeachment dele - teve como motivação uma entrevista do irmão Pedro Collor. Outra investigação, sobre o desvio de recursos do Orçamento da União, também foi provocada por uma entrevista, concedida pelo então assessor do Senado José Carlos Alves dos Santos.
O número de denúncias encaminhadas a ACM continua aumentando. Também é grande a oferta de interessados em depor, sobretudo prejudicados por irregularidades cometidas por juízes e por advogados. O presidente do Senado vai conversar com os líderes dos partidos sobre a CPI, antes de fazer o discurso. A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) avisou ao senador que está atuando para a comissão ser mista - com a participação de senadores e deputados. A coleta de assinatura, principal ato de formação de uma CPI, começará logo depois do discurso de ACM. Ele deve conseguir bem mais assinaturas do que o necessário. O número mínimo é de 27 assinaturas de senadores e de171 de deputados.

mockup