ACM bate-boca com índio durante protesto em Brasília
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Chico Araújo 
Brasília, 13 (AE) - Um bate-boca entre o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o índio Henrique Suruí, marcou a marcha realizada por cerca de 500 índios, que começou no centro de Brasília e terminou em um ato no auditório da Câmara dos Deputados, onde estava o senador. A discussão começou quando Suruí exigiu do senador a retirada de policiais militares das terras indígenas na Bahia. ACM não gostou e exigiu respeito. O incidente só terminou por causa da interferência da senadora Marina Silva (PT-AC). Suruí, da Aldeia 7 de Setembro de Cacoal (RO), furou o bloqueio da segurança e foi até a mesa do presidente do Senado. Com arco e flecha na mão, além de exigir a retirada de policiais militares das áreas indígenas, ele pediu a aprovação do Estatuto do Índio. Irritado, dedo em riste, o índio protestou. "Eu não admito isso; eu vou falar e você vai me ouvir, e exijo respeito", disse, nervoso, o presidente do Congresso. Antes do incidente, os índios pediram a interferência de ACM para solicitar ao governador da Bahia, César Borges (PFL), a retirada dos policiais de suas terras. "Vim aqui para ouvir suas reivindicações e ajudá-los na medida do possível", prometeu ACM.
A discussão não foi o único incidente da marcha. No percurso até o Congresso, os índios jogaram flechas no relógio comemorativo dos 500 Anos, instalado pela Rede Globo no Eixo Monumental, nas imediações da Torre de TV, de onde saiu a marcha. Quase todos, armados com flechas e bordunas, e pintados, carregavam faixas criticando as comemorações dos 500 anos. Votação - No Congresso, os índios foram recebidos pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e uma comissão de deputados e senadores. Temer anunciou que seria votado, ainda na sessão de hoje, um recurso da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) permitindo levar ao plenário o Estatuto de Índio para votação. "Se não votarmos hoje, vamos colocar o recurso em votação na próxima semana", garantiu. Segundo ele, a aprovação do estatuto é "um novo descobrimento do Brasil" e uma homenagem da Câmara aos povos indígenas. O projeto tramita no Congresso há nove anos.
Os índios querem que a Câmara aprove a proposta do estatuto feita com base nas sugestões enviadas pela Organização dos Povos Indígenas do Brasil. "Ali está o que a gente quer; o que a gente acha que é bom para nós", lembrou Nailto Pataxó. Estevinho Terena disse que os índios não admitem "outros 500 anos de sangue", acentuando: "Queremos mais dignidade e respeito, e o cumprimento da lei em relação aos índios". Terena considera "inconcebível" o crime de se queimar um índio em praça pública. Ele se referia ao pataxó Galdino de Jesus, queimado num ponto de ônibus em Brasília, em 1997. Divergências - O presidente da Fundação Nacional do ndio (Funai), Frederico Marés, voltou a criticar a Comissão dos 500 anos, presidida pelo ministro dos Esportes e Turismo, Rafael Greca, por "falta de sensibilidade" e por ter causado clima de tensão na Bahia. A comissão determinou a destruição de um monumento construído pelos índios na Coroa Vermelha, em Porto Seguro (BA), onde foi celebrada a primeira missa.
O deputado Marcos Rolim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, denunciou a realização de um cordão de isolamento com PMs nas imediações de Cabrália, onde ocorrerão as comemorações, para, disse, impedir a entrada de índios, sem-terra e negros.


