Brasília, 2 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, atribui a substituição de Francisco Lopes por Armínio Fraga na presidência do Banco Central às divergências na equipe econômica. Ele acredita que o primeiro momento de divergências teria sido o da fixação do teto da banda cambial em R$ 1,32 e, o segundo, a última sexta-feira, dia que Magalhães considerou o mais nervoso da economia brasileira, quando a ação do BC foi "deficiente". Ele disse que já era intenção do governo há mais tempo fortalecer a área econômica, fazendo mudanças no Banco Central e essa pode ser uma das coisas que provocou a demissão.
Uma das consequências da demissão de Lopes é que Malan foi novamente prestigiado. ACM disse ter entendido, ao ouvir a entrevista de Malan, que o ministro colocou o cargo à disposição de Fernando Henrique, o que significa que havia uma divergência e o presidente teve que escolher entre um dos dois. Magalhães disse ser óbvio que, quando as pessoas pensam de forma diferente
a convivência fica difícil. Ele disse que considera Armínio Fraga extremamente competente. Para ele, poucas pessoas têm sua prática operacional, sobretudo na área internacional e isso o credencia para o Banco Central. Mas Magalhães disse também que não quer fazer qualquer crítica a Francisco Lopes, que, no Senado, fez uma boa exposição e por isso teve apenas dois votos contra sua nomeação. Questionado por suas recentes críticas a especuladores, ACM respondeu que, na aparência, pode causar dúvida a nomeação para o BC de um economista ligado a um megainvestidor como George Soros. "Mas, na realidade, vai trazer benefícios, porque ele mais do que ninguém conhece a ação dos especuladores e poderá pôr fim à ação desses criminosos", disse. "Com Armínio Fraga, a guerra aos especuladores não vai parar mais", disse. Ele acha que o nome de Fraga será aprovado no Senado. Segundo Magalhães, essa substituição não era uma coisa esperada, mas foi comunicada com antecedência. Para ACM, não deve haver nervosismo no mercado financeiro por conta da mudança no comando do BC. Mas, se houver alguma turbulência, a acomodação será mais rápida do que se pensa. ACM diz que a apreciação do nome de Fraga pelo Senado deve ocorrer somente no final do mês.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, disse que há muito tempo a atuação do Banco Central, principalmente em relação à fiscalização estava deixando a desejar. Ele afirmou que a expectativa agora é que isso mude. "Estava na hora do Banco Central mudar a orientação até para evitar uma CPI", afirmou. ACM disse ainda que o ministro Malan e o presidente FHC têm procurado se comunicar com a sociedade, mas que eles precisam falar mais ainda. "E mais do que falar, é preciso agir contra os especuladores", afirmou. O presidente do Senado disse que o Congresso de um modo geral, a não ser excepcionalmente, não deseja aumento de impostos. Ele fez essa afirmação respondendo a uma pergunta sobre possíveis novas medidas econômicas para ajustar as metas com o FMI.

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