ACM ataca Temer
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domingo, 13 de junho de 1999
Por José Ramos e Nelson Breve 
Brasília, 14 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), respondeu duramente à nota divulgada hoje pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP)
na qual ele se queixa do que considera interferência de ACM na discussão da reforma do Judiciário que tramita na Câmara. Em entrevista coletiva, o senador disse que Temer não queria a CPI do Judiciário, para que não fossem descobertas as imoralidades que estão vindo à tona. "Ele não queria, mas a CPI foi feita (...). Depois ele quis apagar fazendo esta reforma".
Para ACM, foi escolhido um grande relator para a reforma do Judiciário, Aloysio Nunes Ferreira, mas Temer está "sabotando este relator". Ele insinuou que o presidente da Câmara obstrui a votação de matérias importantes que atingem o Poder Judiciário porque possui um escritório de advocacia e defende interesses corporativos de advogados e juízes. "Ele tem escritório de advocacia e, por isso, matérias importantes não andam, como o Código de Processo Civil, que está lá (na Câmara) há um ano e meio, pronto. Ele não deixa votar também o efeito vinculante para atender o interesse corporativista dos advogados e dos juízes de primeira instância", afirmou o presidente do Congresso.
ACM afirmou ainda que a resposta de Temer, em nota oficial, sobre a reforma do Judiciário deve-se ao despeito e à inveja. "Ele foi eleito (presidente da Câmara) na primeira vez com muito esforço do deputado Luís Eduardo. Entretanto, responde com a inveja do êxito de Luís Eduardo na presidência (da Câmara), coisa que até hoje não obteve", disse ACM, afirmando que na reeleição para a presidência da Câmara Temer só foi reconduzido porque ele (ACM) teria que ser reconduzido à presidência do Senado onde o PMDB (partido de Temer) tinha a maioria. "Acho que ele está muito zangado porque sou muito melhor recebido em São Paulo do que ele", disse ACM. "Se ele questiona a minha autoridade, eu estou respondendo agora. Eu tenho a autoridade que o povo me concedeu como senador mais votado no meu Estado e sempre serei. Enquanto ele não pode disputar eleição majoritária em São Paulo. Eu até pensava em dar uma ajuda, mas agora não vou mais", afirmou.
Para ACM, a controvérsia entre ele e Temer não prejudica o governo. "Isso não é um problema de governo. É um problema do presidente da Câmara despeitado com o presidente do Senado. Nada tem a ver, nem sequer, com o poder. Tem a ver com o temperamento do dr. Michel Temer, que não é um temperamento de uma pessoa que aceite o êxito de outra, até porque falta-lhe estatura", disse o senador, rejeitando a hipótese de tirar satisfações pessoalmente com o presidente da Câmara sobre a nota redigida por Temer. "Em nenhuma hipótese darei essa confiança a ele."


