ACM ataca Pimenta da Veiga por afastar Malan da CPI
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Rosa Costa e Gerson Camarotti 
Brasília, 29 (AE) - A discussão sobre uma eventual convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor na CPI do Sistema Financeiro gerou hoje um bate-boca entre o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga (PSDB). ACM mandou dizer a Pimenta que ele mesmo assinará o requerimento de convocação de Malan se continuarem as pressões do Palácio do Planalto sobre o Congresso para evitar que o primeiro escalão da equipe econômica deponha na CPI.
"Ele errou do ponto de vista político, porque na hora em que disse que Malan não vem, eu próprio vou assinar um requerimento de convocação", afirmou ACM. "O comparecimento do Malan, na minha ótica, não é assunto para o Pimenta da Veiga. Ele não tem nada que se intrometer nas atividades da CPI." Pimenta da Veiga respondeu de pronto. "O senador Antonio Carlos
que é aliado, tem que entender que a convocação do ministro Malan é um ato político negativo para o governo", cobrou. "Quem decide o que eu devo falar sou eu mesmo, a CPI deve ouvir as pessoas diretamente ligadas ao que estiver investigando." Pimenta da Veiga tem dito que Malan não deve depor na CPI.
A presença do ministro da Fazenda vem sendo cobrada por parlamentares, insatisfeitos com a falta de explicações do governo sobre a venda de dólares a preços mais baixos durante a desvalorização do real. As declarações do articulador político irritaram ainda mais o presidente do Senado, que já estava indignado com o próprio Fernando Henrique, que afirmara que a reforma do Judiciário seria mais importante do que a CPI instalada por ele para corrigir as distorções daquele poder.
No final da tarde, ACM elevou o tom dos ataques e respondeu ao ministro novamente. "Eu confesso que ele pode falar o que quiser, mas não em relação ao Congresso", disse o senador. "Coordenador político do governo não manda aqui, ele não dá palpite em nada."
A insistência do senador pefelista em convocar Malan já começa a preocupar o governo, que contava com sua liderança para afastar o ministro das investigações de irregularidades no BC. "Quais motivos levam ACM a tomar uma posição que só prejudica o governo e ao mesmo tempo faz o jogo da oposição?", indagou um assessor do Planalto.
HOje, o criador da CPI do Sistema Financeiro e presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), saiu em defesa ao articulador político do governo e posicionou-se contra o presidente do Senado. "O ministro Pedro Malan não deve vir mesmo, até porque não existe nada de especial contra ele", disse Barbalho. "Se tiver alguma coisa contra Malan, aí sim convocaremos."
Os partidos de oposição estão aproveitando a disposição de ACM para tentar colocar Malan no plenário da CPI. "O governo quer esconder o quê?", provocou o líder do PT na Câmara, deputado José Genoino (SP). "Se a CPI não tiver força política para convocar Malan, ficará desmoralizada", avaliou o petista. Para ele, Pimenta da Veiga "jamais" poderia dar uma determinação proibindo a presença de Malan na comissão. "O governo quer fazer um cinturão em torno do caso Marka e isolar o resto", acusou Genoíno.


