Brasília, 30 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que se Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, não comparecer na terça-feira (04) para prestar depoimento mandará os médicos do Senado à capital paulista para verificar qual é o seu real estado de saúde. Santos Neto deveria depor na quinta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Poder Judiciário, mas alegou que não tinha condições de saúde para o compromisso.
Marco Aurélio Gil Oliveira, ex-genro do magistrado, afirmou aos senadores que com o início da construção do novo fórum trabalhista de São Paulo Santos Neto passou a ostentar um padrão de vida incompatível com sua renda. A obra já consumiu mais de R$ 200 milhões e ainda não foi entregue pela construtora. "A CPI vai desmontar esse esquema e também vai sugerir mudanças na legislação para que essa situação não se repita", disse o presidente do Congresso.
A presidência do Senado recebeu centenas de denúncias de corrupção e irregularidades que seriam praticadas no Judiciário. Algumas delas são anônimas. Entre os documentos que chegam diariamente ao Senado está o depoimento do então superintendente da Polícia Federal em João Pessoa, Antonio Flávio Toscano Moura. Ele foi ouvido em 19 de março de 1996 por três ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e confirmou que, desde aquela época, já havia investigação sobre possíveis irregularidades na compra de um imóvel pelo Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba. As suspeitas são de superfaturamento e dispensa ilegal de licitação para a aquisição de um terreno na Praça da Independência, em João Pessoa. Essas irregularidades foram levadas à CPI por Antonio de Pádua Pereira Leite, funcionário do tribunal.
O senador Carlos Wilson (PSDB-PE), pediu à CPI que o advogado paulista Marco Antonio Colagrossi seja ouvido. Ele deve falar sobre acusações de irregularidades que teriam sido praticadas em processos de adoção internacional pelo juiz Luís Beethoven Giffoni Ferreira, que atuou no anexo da Infância e Juventude de Jundiaí. Colagrossi é coordenador do movimento "Mães da Praça do Fórum de Jundiaí", que denuncia o juiz de facilitar adoções de crianças por estrangeiros.

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