ACM admite buscar apoio a uma possível candidatura em 2002
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Reali Júnior (correspondente) 
Paris, 22 (AE ) - O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) admitiu hoje em Paris que por trás de suas frequentes viagens a São Paulo está a possibilidade de vir a disputar a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Apoio não faz mal a ninguém." E acrescentou: "Não sou candidato a presidente, mas o meu partido aspira ter um candidato; sou pragmático e, consequentemente, a favor das alianças", disse. "Dessa forma, não faltarei ao meu partido e ao meu País se minha candidatura for julgada necessária; por enquanto, o que tenho como certo é disputar mais um mandato de senador pela Bahia."
ACM não escondia sua satisfação com o artigo publicado hoje pelo vespertino Le Monde e assinado pelo seu colega, o presidente do Senado francês, Christian Poncelet, um conhecido dirigente gaullista. Ele citou alguns trechos desse artigo que justificam as posições que tem assumido, inclusive nas divergências com a presidência da Câmara, lembrando o papel de contrapoder da instituição que dirige: "O papel de contrapoder do Senado consiste não apenas em melhorar a qualidade da legislação mas, sobretudo, permitir a expressão de uma opinião diferente da do governo e da Assembléia (Câmara dos Deputados); o Senado alimenta dessa forma um debate público sem o qual não existe democracia."
O senador explicou que não contesta o presidente Fernando Henrique, mas pode divergir dele. Quanto as declarações de Fernando Henrique de que sua tolerância chegou ao limite, disse que o presidente tem sido extremamente tolerante com os que contestam o seu governo. Por isso, está convencido que essa atitude deveria ter sido tomada há mais tempo. Para ACM, "há uma grande diferença entre contestar e divergir; da minha parte não pretendo contestar, mas divergirei sempre que achar necessário."
Já as declarações do ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, fazendo restrições à extinção do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e ao projeto do relator da reforma do Judiciário na comissão especial da Câmara, deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que não traduziria os interesses do governo, o senador disse que essa pode ser a opinião do ministro, mas não é a que ouviu do presidente, que considera esse assunto da competência exclusiva do Congresso, cabendo a ele encontrar uma solução.


