Brasília, 08 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), acusou hoje o Supremo Tribunal Federal (STF) de criar obstáculos para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário investigar corrupção na Justiça, ao comentar o caso do juiz Leopoldino Marques. Na sua opinião, se Marques foi morto, os desembargadores acusados por ele passam a ser suspeitos. "O Congresso vai trabalhar nessa linha e vai prestigiar a ação do juiz que acusou", disse.
"A CPI do Judiciário desvendou coisas inacreditáveis de corrupção e se a comissão pudesse trabalhar em todo o Brasil na Justiça sem os óbices criados pelo STF, eu não tenho dúvida de que o Judiciário estaria modificado pela força popular", argumentou ACM. A denúncia apresentada por Marques não chegou a ser investigada, assim como outras 3 mil, pelo fato de a CPI ter se concentrado em apurar 8 casos.
As críticas de ACM referem-se às liminares dadas por ministros do STF favorecendo pessoas investigadas pela CPI do Judiciário e também pela CPI dos Bancos. É o caso do vice-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Asdrúbal Zola Cruxên, que conseguiu liminar impedindo sua convocação pela CPI do Judiciário. Cruxên é acusado de ter presidido o espólio do menor Luiz Gustavo Nominato, o que resultou na dilapidação da herança de cerca de R$ 30 milhões.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, disse hoje que o caso do juiz Marques é delicado. Ele pediu empenho do Itamaraty para que as investigações sobre seu suposto assassinato sejam feitas com rigor pela polícia paraguaia. "O que se espera é que as autoridades diplomáticas acelerem as investigações no Paraguai."
Castro telefonou ontem (07) à noite para o presidente do STF, Carlos Velloso, para saber se as providências para a identificação do corpo carbonizado haviam sido tomadas. "O ministro garantiu que foi encaminhado."
Para Castro, do ponto de vista institucional, é preciso dar andamento à apuração das denúncias feitas por Marques. "Se for confirmada a morte do juiz, teremos a idéia da gravidade dos fatos apresentados por ele."
O presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, informou em nota que a AMB está acompanhando o caso. Segundo ele, três magistrados viajaram para o Paraguai para acompanhar os trabalhos da polícia.
O presidente da CPI, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), disse hoje que o caso merece investigação "seríssima". Segundo ele, a comissão pode deliberar a apuração das acusações apresentadas pelo juiz de Mato Grosso.

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