ACM acusa jornalistas e burocaratas de intrigá-lo com FHC
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segunda-feira, 16 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 17 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), acusou hoje "jornalistas desavisados e burocratas incompetentes" de tentar intrigá-lo com o presidente Fernando Henrique Cardoso, ao dizerem que ele avançou na divulgação de medidas que caberia ao governo anunciar. ACM disse que a intenção é a de ajudar o presidente a atravessar a atual fase de governo, "que não é boa, não por culpa dele mas, sim, de seus auxiliares". "O que eu não aceito é que burocratas fiquem sem botar a cara, dizendo que é isso e aquilo em relação a mim", reclamou. "Ou que fiquem com coisinhas nos jornais que não constróem nada."
O senador disse que "os burocratas que querem seguir a linha do FMI (Fundo Monetário Internacional)" ficaram irritados com a informação que deu na sexta-feira (13), em Belo Horizonte, sobre o preço dos combustíveis "porque, na realidade, muitos deles querem o o aumento dos combustíveis". "É preciso que os burocratas tomem juízo e os jornalistas fiquem mais atentos para que não distorçam notícias que são importantes para o País", sugeriu. ACM disse as "intrigas" contra ele e o presidente não lhe metem medo, mas que são desagradáveis porque estão em desacordo com a intenção dele de ajudar o governo.
O iniciativa de falar sobre esse assunto foi do senador, logo que chegou ao Senado, pela manhã. Ele explicou que, em Belo Horizonte, informou aos jornalistas que não haveria mais aumento no preço dos combustíveis "porque o que houve foi suficiente e até além da conta do que o presidente queria". "O presidente não quer aumento tão cedo", reiterou. "Salvo se ocorrer uma catástrofe ou coisa que venha a criar um grave problema nacional", esclareceu. ACM disse que, se fosse um burocrata, teria respondido à pergunta dos jornalistas, dizendo que os reajustes do combustível vão continuar. "Mas, como sou um político e quero defender o presidente, disse que não vai haver", afirmou. Segundo ele, se a proposta era do governo e não foi anunciada, "a culpa é dos comunicadores, dos burocratas do governo".
Ele destacou que, logo após ter dado a informação, ligou para Fernando Henrique, dizendo o que havia feito isso "em defesa do governo dele e ele ficou extremamente satisfeito". "Cumprirei com o meu papel no meu estilo, sem medo de qualquer coisa e sem interesse pessoal", frisou. O presidente do Senado pediu que todos os políticos façam o mesmo para ajudar o governo a superar as dificuldades. Ele não quis comentar sobre a necessidade de o presidente trocar os auxiliares que não ajudam na divulgação de fatos positivos para o governo, alegando que esse tipo de decisão cabe exclusivamente a ele.


