ACM acusa amigos do presidente de tentar isolá-lo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de janeiro de 2000
Por Rosa Costa e Gerson Camarotti 
Brasília, 10 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), acusou hoje "amigos do presidente" de espalhar a informação de que ele estaria sendo alvo de uma articulação, comandada por Fernando Henrique Cardoso
para isolá-lo das decisões do governo. "Tudo isso é intriga dos amigos do presidente", disse. ACM disse ter certeza de que o presidente Fernando Henrique não está envolvido nessa história. "Jamais num regime democrático, o presidente pode isolar o presidente do Senado e do Congresso."
A articulação teria por meta diminuir o poder de ACM no Congresso e, com isso, esvaziar sua influência no encaminhamento de questões que não interessam ao governo, como é o caso do reajuste dos salários dos servidores públicos. O senador explicou que não acredita na informação simplesmente por considerá-la inócua. "Nessa altura da minha vida, ninguém consegue me isolar", rebateu. "Senão, eu não teria chegado aonde cheguei."
O senador disse que vai insistir para que o governo reajuste o salário mínimo e os menores salários dos servidores públicos, inclusive apontado as fontes de recursos capazes de financiar o custo desses aumentos. "Eu vou sugerir as fontes e pronto", garantiu, ao saber ter sido essa a reação de membros da equipe econômica do governo diante de sua proposta. "Eles podem até não aceitá-las, mas vou mostrar as fontes a eles."
Também apontada como um dos motivos da divergência entre o senador e o presidente Fernando Henrique, o combate à pobreza, defendido por ACM em julho último, avança um pouco amanhã (11). A emenda constitucional que cria o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza será votada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O fundo, segundo a proposta, seria formado por diversos tributos e contribuições atualmente existentes.


