Salvador, 07 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), acredita que setores do governo desejaram o atrito dele com o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), para enfraquecer os dois politicamente.
ACM afirmou hoje, em Salvador, que o presidente Fernando Henrique Cardoso terá dois discursos para tratar do caso. "Pelo que eu conheço do presidente, ele vai dizer a alguns que gostou (da briga) e a outros, que não gostou", ironizou, ao comentar a "neutralidade" de FHC no caso.
Aparentemente, Magalhães não gostou dessa "neutralidade", embora afirmasse respeitar a posição do presidente da República. Contudo, previu turbulências no relacionamento entre os dois, no futuro. "Quando tivermos problemas pessoais, aí sim, teria de falar e ele também, mas isso nem desejo", disse, sem afastar a possibilidade dessa briga. "Não é impossível", observou. ACM deu essas declarações à tarde, ao retornar de Jacobina (BA), onde participou, pela manhã, da inauguração de obras do governo baiano.
No palanque, diante da praça lotada com cerca de 10 mil habitantes, foi aplaudido, ao dizer, no discurso, que Fernando Henrique não é "patrão" dele e, por isso, vai continuar defendendo um salário mínimo maior que os 151 reais fixados pelo governo.
Já na capital baiana, ao se referir às declarações do ministro da Fazenda, Pedro Malan, segundo as quais o salário mínimo dá para comprar a cesta básica e ainda sobram 20 reais, ACM fez uma proposta: "R$ 151,00 é quanto Malan e todos que defendem esse valor deveriam ganhar para ver se realmente é possível alguém sobreviver com esse salário", disse.
"Toda essa briga no Senado é por causa do mínimo e, embora não tenha voto, pedirei aos meus amigos para votar contra o salário de 151 reais", disse.
ACM criticou as reações à briga dele com Barbalho no Congresso. "Vocês da mídia deveriam cobrar a apuração dos fatos e não ficar dizendo que o Senado não é o lugar certo para se discutir; é óbvio que deve ser no Senado para quebrar essa tradição de uma Casa fria." Magalhães voltou a pedir à Procuraria da República a apuração das denúncias, achando que, "quem tiver pecados, mesmo no passado, deve pagar".
Sobre as consequências da briga para a eleição das novas Mesas Diretoras do Senado e Câmara, ACM rejeitou as negociações mantidas antes da discussão, entre caciques do PFL e PMDB, pelas quais Barbalho seria o novo presidente do Senado e o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE), da Câmara. "Esse tipo de negociação tem de acabar no Brasil", criticou, propondo a escolha "dos melhores e mais capazes", sem indicar nomes. Sobre o inimigo, Barbalho, ACM disse que a eleição dele é questão de voto. "Se o Senado achar que ele tem um bom currículo, poderá ser presidente; se o Senado achar que ele é um pouco do que foi afirmado (na troca de acusações), ele não poderá ocupar o cargo."

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