ACM acaba com 'Senadinho' no Rio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 17 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), acabou ontem (16) com a representação da Casa no Rio. Chamado de "Senadinho", o órgão tem apenas 38 servidores, que não quiseram ser transferidos para Brasília - e lá permanecem "encostados"- e a senadores que desejam usufruir de mordomias quando chegam ao Estado.
O "Senadinho" assegura-lhes carregdores de bagagens, transporte para qualquer lugar do Estado e a liberação de bagagens vindas do exterior.
A manutenção do "Senadinho" custa R$300 mil aos cofres públicos, sem contar o que é gasto com a folha de pagamento. O salário médio, de R$3 mil, é bastante elevado, haja vista que ninguém é cobrado por nenhum tipo de trabalho especializado. O senador comunicou o fato ao encarregado pela representação, Deusdeth Miranda, que esteve hoje no gabinete dele.
Há cerca de dois anos, o plenário rejeitou o dispositivo de uma resolução administrativa que acabava com o órgão. A vice-governadora do Rio e ex-senadora Benedita da Silva (PT) e o senador Artur da Távola (PSDB-RJ) foram os que mais se empenharam em manter o "Senadinho". Os senadores que usarem os serviços do órgão podem escolher entre nove carros, até mesmo de um Tempra que o ex-primeiro secretário do Senado, ex-senador Odacir Soares (PTB-RO), mandou para lá, novo, no fim do mandato na secretaria.
Para evitar surpresas dessa vez, ACM assinou o ato acabando com a representação na noite de ontem. O fato só se tornou conhecido hoje de manhã, com a publicação da decisão no "Diário do Senado". Dos 38 servidores, apenas três poderão continuar no Rio, com a única missão de auxiliar senadores no aeroporto. Os demais terão 30 dias para decidir se querem trabalhar em Brasília ou se aposentar pelo programa voluntário que está sendo montado pela administração do Senado. Estão sendo avaliados os critérios de demissão voluntária usados pelo Banco do Brasil (BB) e pelo Serpro.
A Mesa Diretora do Senado também vai examinar se estende ou não o programa aos demais servidores da Casa. A Casa, que teve 3,5 mil servidores, tem hoje cerca de 2,1 mil, fora os comissionados dos gabinetes, e deve chegar ao fim do ano, com um quadro de 1,9 mil empregados.
No ato, ACM fixou um prazo de 90 dias para que o prédio onde está o "Senadinho" seja devolvido ao Ministério das Relações Exteriores. Ele também determinou a extinção ou a adequação dos contratos de fornecimento e de prestação de serviços que se destinam a atender à repesentação, além da realização de um inventário com os bens ali existentes.


