São Paulo, 04 (AE) - A Assembléia Geral Extraordinária (AGE) do Grupo Telefónica aprovou hoje (04), em Madri, a ampliação de capital da companhia por um total de 3,5 trilhões de pesetas (cerca de US$ 21,8 bilhões), valor que representa 922 milhões de ações. Essa operação, a mais ambiciosa da história do maior grupo privado espanhol, permitirá fazer a OPA (Oferta Pública de Ações) para 100% das companhias controladas pela Telefónica no Brasil, Argentina e Peru, e, depois, reorganizar a estrutura dessas subsidiárias.
"A proposta do Conselho de Administração para ampliar o capital teve apoio da grande maioria dos acionistas", disse um alto executivo do grupo à Agência Estado, por telefone de Madri. De acordo com essa fonte, as novas ações serão oferecidas agora aos acionistas das subsidiárias latino-americanas (exceto aos da CTC do Chile), pelas quais os atuais detentores terão de renunciar a seu direito de subscrição preferencial.
"Trata-se da maior ampliação de capital jamais feita no nosso mercado e é uma operação histórica para a Telefónica, que vai permitir consolidar a sua liderança na América Latina", disse Juan Villalonga, presidente do grupo, durante a AGE. Nas últimas três semanas, os mercados anteciparam, de alguma forma, o resultado da operação da Telefónica, que inclui um prêmio de 40% pelas ações da Telesp, TeleSudeste Celular, Telefónica de Argentina e Telefónica de Peru.
Desde que a Telefónica anunciou, no dia 13 de janeiro, o lançamento das OPAs pelas ações das suas subsidiárias latino-americanas, os papéis da Telesp subiram 13,4% e da TeleSudeste Celular, 33,3%. Já as ações da Telefónica de Argentina e da Telefónica de Peru dispararam 39,6% e 27,4%, respectivamente. Logo depois do anúncio do resultado da AGE em Madri, as ações PN da Telesp chegaram a subir 2,80%.
Analistas do setor de telecomunicações acreditam que as OPAs devem fortalecer o Grupo Telefónica diante de seus principais concorrentes, já que os acionistas terão acesso a um grupo de "dimensão multinacional". Se as OPAs forem cobertas em 100%, por exemplo, os acionistas das subsidiárias latino-americanas acabarão controlando 18,9% do novo grupo.
"Se a oferta pública de ações for um sucesso, entraremos no seleto grupo das empresas de telecomunicações cuja capitalização supera os US$ 100 bilhões, o que ajuda a proteger-nos contra possíveis tentativas de aquisições hostis", declarou Villalonga.
Com a integração das subsidiárias latino-americanas, a Telefónica se transforma na segunda maior operadora de telefonia fixa da Europa (cerca de 40 milhões de linhas), atrás apenas da Deutsche Telekom, e na sexta em telefonia celular no mundo, com 15 milhões de clientes.
Atualmente a Telefónica detém 25,7% da Telesp, 36,4% da TeleSudeste Celular, 51% da Telefónica de Argentina e 36,4% da Telefónica de Peru. A ampliação de capital não prevê desembolso alguma de recursos financeiros, já que a OPA será feita por meio de troca de ações do Grupo Telefónica por aquelas que estão em poder dos acionistas minoritários. O grupo vai oferecer 15 ações para cada 90 da Telefónica de Argentina, 36 por 46 mil ações ordinárias da Telesp, 12 ações para cada 55 mil da TeleSudeste Celular e sete de seus ADS para cada 290 ações da Telefónica de Peru.

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