Acionistas aprovam fusão da Exxon com a Mobil
Dallas, 27 (AE-AP) - Os acionistas da empresa petrolífera Exxon aprovaram hoje a fusão da empresa com a Mobil Corp., um negócio de US$ 82,2 bilhões que vai unir as duas maiores companhias petrolíferas dos Estados Unidos.
Acionistas representando mais de 99% do capital votante da Exxon foram favoráveis ao negócio. A expectativa é que os acionistas da Mobil, que deveriam reunir-se mais tarde para deliberar o assunto, também aprovassem majoritariamente a fusão.
O negócio ainda tem de ser aprovado pelos órgãos reguladores dos Estados Unidos e da Europa antes que as duas companhias possam efetivamente fundir-se. A aprovação dos acionistas era esperada pelos executivos da companhia e pelos analistas independentes.
"Interessa a todo mundo", disse Keith Petersen, da Salomon Smith Barney em Nova York, que avalia que as autoridades vão aprovar a união se as empresas concordarem em vender alguns postos de gasolina em locais onde concorrem lado a lado.
"Elas (as autoridades) têm uma influência limitada no mercado de varejo porque a maior parte das principais companhias petrolíferas não possui sua própria rede de distribuição - os postos são propriedade de indivíduos", disse Petersen. "E há um excesso de capacidade de refino de petróleo, o que explica o fato de essas empresas estarem tendo prejuízo operacional", acrescentou.
A fusão deverá deixar pelo menos 9 mil empregados em todo o mundo menos contentes: eles serão demitidos, no provável corte de 7% da força de trabalho das duas companhias.
A nova empresa será conhecida como Exxon Mobil Corp. e terá sua sede em Irving, Texas, atual sede da Exxon. A Mobil tem sede na cidade de Farifax, na Virgínia. De acordo com os termos da fusão, os acionistas da Mobil vão receber 1,32 ação da nova empresa para cada ação da Mobil. Os acionistas da Exxon vão manter seus papéis já existentes e terão cerca de 70% das ações da nova empresa.
Executivos da Comissão Federal de Comércio (Federal Trade Commission, FTC) têm declarado estar "particularmente interessados" em como a fusão vai afetar a concorrência no Noroeste norte-americano, no Golfo do México e na Califórnia, regiões em que as duas companhias competem acirradamente nas vendas a varejo. As autoridades governamentais afirmam que as duas empresas controlam mais de 15% dos postos de gasolina vinculados a redes da Região Noroeste e possuem cerca de 18% da capacidade de refino do Golfo.
Enquanto os presidentes da Exxon e da Mobil, Lee Raymond e Lucio Nato, respectivamente, comemoram, a Chevron Corp. não consegue avançar com seu projeto de compra da Texaco Inc. numa operação envolvendo a permuta de US$ 43 bilhões em ações.
Segundo fontes familiares com as negociações, no último relatório a respeito das negociações, preparado no dia 7 de maio
a estrutura da fusão, o preço do negócio e a liderança na nova empresa não estavam definidas.
A Chevron, quarta maior empresa petrolífera dos EUA, e a Texaco, terceira no ranking, ainda estão longe de um acordo. Além disso, a aliança da Texaco com a Royal Dutch/Shell e com a estatal petrolífera da Arábia Saudita, a Aramco, será uma dificuldade a mais na transação. Há mais características negativas do que positivas nesse negócio.
O presidente da Chevron, Kenneth Derr, de 62 anos, deverá aposentar-se em três anos e o presidente da Texaco, Peter Bijur, de 56 anos, quer garantias de que ele será o sucessor de Derr na nova empresa. Porém, a Chevron não está propensa a garantir a presidência a Bijur. Um dos concorrentes ao cargo de presidente da Texaco é o vice-presidente da Chevron, Dave OReilly, de 51 anos. Ele tem garantido o cargo de vice-presidente de operações da nova empresa.
Além das dificuldades internas, a Shell não deu nenhuma indicação de que está propensa a romper sua associação com a Texaco nos Estados Unidos. As duas controlam a maior distribuidora de petróleo dos EUA, com 23,6 mil postos e 15% do mercado.





