Paris, 02 (AE) - Ex-tenista profissional e técnico dedicado, o meio brasiliense, meio carioca, Ricardo Acioly é o principal responsável pela transformação de Fernando Meligeni. Foi dele a idéia luminosa, digna de seu apelido "Pardal", de mexer em alguns fundamentos no jogo do tenista. A mais importante mudança foi a de fazer o jogador deixar de bater a esquerda (revés) com as duas mãos e optar por um golpe mais clássico.
"O Fernando só extraia o pior deste golpe", contou Acioly, conhecido no meio do tênis, como Pardal. "Não conseguia aplicar a força proporcionada pelas duas mãos e também se via em situação complicada nas bolas mais baixas e longes." Como Meligeni não tinha benefícios neste tipo de batida - consagrada pelo genial Bjorn Borg - Pardal inventou uma mudança. No começo o risco foi alto. Mas tanto o técnico, como o jogador, decidiram apostar. Em pouco tempo, o jogo de "Fininho" melhorou a ponto dele ter conseguido derrotar o norte-americano Michael Chang, quando era vice-líder do ranking mundial e, depois, vieram outras vitórias sobre os líderes, como Yevgeny Kafelnikov. Agora
a comprovação com resultados brilhantes diante de Patrick Rafter, Felix Mantilla e Alex Corretja.
Acioly, atual capitão da equipe brasileira da Copa Davis de Tênis, fala, com propriedade, que um bom tenista é formado por quatro elementos: a técnica, o físico, a estratégia e a mentalidade. A transformação de Meligeni, segundo Pardal, passou por todas estas fases.
"Primeiro decidimos mexer na técnica do Fernando, mudando sua esquerda e outros pontos fracos", contou. "Para conseguir isso teve de ganhar massa muscular, força, resistência e não confiar apenas em seu fôlego de maratonista", prosseguiu. "Chegamos ao ponto em que pudemos montar boas estratégias, pois ele já tinha técnica e físico para isso, até que ele mesmo mudou seu comportamento na quadra, assumiu uma postura de vencedor, ganhou respeito dos adversários e está aí, nas semifinais."
Uma das mais importantes vitórias de Meligeni no torneio, as oitavas-de-final diante de Felix Mantilla, teve a forte influência do técnico Acioly. Jogador e técnico encontraram-se para uma conversa no corredor do hotel e Acioly escutou um pedido: "Não estou contente com o que fiz até agora em Roland Garros", revelou. "Quero mais". A resposta veio com a mesma tese do início do trabalho entre os dois: riscos.
Pardal avisou que Fininho teria de assumir riscos, ir para o ataque se quisesse superar Mantilla. Deu certo. Agora, contra Medvedev, na sexta-feira, o tom deve ser o mesmo.

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