Curitiba- A afirmação de que os idosos não são bons motoristas é desmentida por estatísticas recentes divulgadas pelo Batalhão de Polícia de Trânsito do Paraná (BPTran) e polícias Rodoviária Federal e Estadual. Os motoristas acima de 65 anos correspondem a cerca de 8% das carteiras de habilitação emitidas no Paraná. Apesar disso, as pessoas acima de 60 anos envolveram-se, no ano passado, em apenas 4,31% do total de acidentes de trânsito com vítimas registrados no Paraná.
O motorista de táxi Eduardo Schuinka, 73 anos, com carteira de habilitação há 51 anos, atua na praça de Curitiba há 26 anos. Ele diz que tem apenas um acidente em seu currículo. ''Foi há uns dez anos. Foi bem devagarinho. Estava tudo molhado. Vi que um carro parou no sinaleiro, freei uns 20 metros mas acabei batendo'', conta.
Schuinka é, na verdade, exceção entre os motoristas idosos. Conhecido entre os taxistas como ''pé de chumbo'', está longe da figura do idoso conhecida por ''atrapalhar'' o trânsito por andar em baixa velocidade. Outra diferença: no exame periódico feito no Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), ele conseguiu abolir os óculos, que até então constavam como de uso obrigatório em sua carteira de motorista.
Mesmo sendo minoria no trânsito, as pessoas com mais de 60 anos representaram 10,37% das vítimas fatais nos acidentes registrados em 2004 no Estado, com um total de 178 mortes. Entre os feridos, o percentual cai para 5%. Foram 2.470 acidentados idosos, sendo 485 na Capital. Dados preliminares deste ano apontam para números parecidos. Nos primeiros quatro meses deste ano, 48 pessoas com mais de 60 anos morreram no trânsito no Paraná e 661 sofreram ferimentos no Paraná e 95 na capital.
Para o engenheiro de trânsito Alan Kanne, algumas mudanças importantes já estão sendo implantadas no País para prevenir com que os idosos que apresentam problemas decorrentes da idade continuem nas ruas. Uma delas foi a redução, instituída pelo Código de Trânsito Brasileiro, do prazo de validade do exame médico de cinco para três anos, a partir de 65 anos. Outra mudança positiva, de acordo com ele, foi a implantação dos radares. ''Nas cidades que têm radares, como Curitiba e São Paulo, a cultura de dirigir mais devagar espalhou-se. Isso beneficiou os idosos que já andam mais devagar porque têm um tempo de reação também mais devagar'', analisa.
Para o idoso pedestre, ele elogia a implantação de semáforos com contador de tempo, mas critica a falta de conservação das calçadas. ''O reflexo prejudicado torna o ato de dirigir perigoso. Por isso, sempre indicamos aos motoristas da terceira idade que consultem um geriatra para saber das condições cardíacas e clínicas gerais. O tipo de medicamento usado por eles também pode afetar a direção'', explica o médico Benny Canlot, que trabalha na seção de exames do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR).
O prazo de validade do exame médico para a terceira idade pode ser ainda menor se o motorista apresentar uma doença degenerativa ou progressiva, como a perda de visão. Em média, porém, o índice de reprovação dos motoristas da terceira idade é muito baixo. Apenas 2,05% reprovam.

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