Assim que uma paciente pretende engravidar, o médico ginecologista Sérgio Parreira, de Londrina, diagnostica o uso de ácido fólico. O ácido ou folato (vitamina B9) usado antes e durante parte da gestação diminui as chances da mulher ter um filho com defeitos do tubo neural (DTNs), uma malformação que ocorre durante o período de formação do embrião.
Estudos internacionais demonstram que o uso do ácido fólico reduz em até 80% os riscos do bebê apresentar problemas como anencefalia (sem cérebro), que leva à morte poucas horas após o nascimento, ou ainda a espinha bífida (aberta), que causa paralisia e perda do controle das funções do intestino e da bexiga. Cerca de 20% dos casos estão associados a fatores genéticos, situações em que não é possível a prevenção.
No Brasil, pesquisas indicam que uma a cada 800 crianças nascem com os DTNs. Mas, apesar disso, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Febrasgo (federação que reúne as sociedades de ginecologia e obstetrícia do país), nem sempre é seguida pelos médicos. Muitos profissionais entendem que uma mulher saudável não necessita da suplementação vitamínica e deixam de orientar suas pacientes sobre isso.
Exemplo dessa desinformação é uma pesquisa feita no ano passado pelo hospital estadual Mário Covas, ligado à Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André. Cem grávidas foram entrevistadas aleatoriamente e, quando questionadas sobre a utilização do ácido fólico, 91 disseram que não haviam tomado a folato. As outras nove gestantes relataram que a ingestão da vitamina ocorrera depois de dois meses da concepção, quando o folato já não é mais eficaz para a prevenção dos defeitos do tubo neural.
Em Londrina, o medicamento não é encontrado nos postos de saúde (leia texto nesta página), e também há desinformação. Há duas semanas, por exemplo, de 18 mulheres que participavam de um curso de gestante no Hospital Universitário (HU) da cidade, apenas duas haviam utilizado o medicamento. ''Na primeira consulta em que falei que queria engravidar o médico já me indicou. É muito importante'', disse a servidora pública Ana Consuelo França, de 33 anos, grávida de cinco meses. ''Eu ainda estou tomando (o ácido fólico)'', disse Fernanda de Oliveira, de 25 anos, que vai completar três meses de gravidez.
Para o presidente da Febrasgo, Edmundo Chada Baracat, independentemente das convicções pessoais, os ginecologistas e obstetras precisam orientar suas pacientes sobre a importância do ácido fólico e prescrevê-lo assim que a mulher interromper os métodos contraceptivos.
A Organização Mundial da Saúde preconiza dose mínima diária de 0,4 mg de ácido fólico para o fechamento de tubo neural. Segundo Parreira, é arriscado tomar o folato só após o resultado do teste de gravidez. Isto porque a formação do tubo neural acontece 28 dias após a fecundação, data em que a maioria das mulheres ainda não sabe que está grávida. ''É uma medida profilática e o ácido fólico deve ser usado até a 12 semana de gestação'', explicou.

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