Acidentes elétricos causaram quase 600 mortes em 2016
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quinta-feira, 04 de maio de 2017
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre) mostrou que em 2016, 599 pessoas morreram vítimas de choques elétricos em todo o País. Desses, 171 foram acidentes domésticos. O órgão admite, no entanto, que o número pode ser ainda maior, uma vez que não há dados oficiais sobre óbitos por acidentes elétricos no Brasil.
No Paraná, o Corpo de Bombeiros, que faz o atendimento às ocorrências mais graves por meio do Siate, registrou nove mortes por choque elétrico em 2016. Segundo o sistema informatizado do órgão estadual, as equipes de socorristas atenderam 97 ocorrências no ano passado, o que representa uma incidência de dois casos graves por semana.
Além do levantamento do número de mortes, o Procobre avaliou ainda, a partir de uma amostra de 999 domicílios, as condições das instalações elétricas residenciais. Segundo o estudo, apenas 29% das residências brasileiras têm projeto elétrico e 52% não têm fio terra. "O cenário é bastante preocupante e mostra a necessidade de readequação das instalações elétricas, principalmente dos imóveis com idade média de 20 anos de construção", diz o diretor da Procobre, Antonio Maschietto.
O padrão da tomada de três polos, adotado obrigatoriamente a partir de 2011, está presente em somente 35% dos domicílios, de acordo com o levantamento. O modelo leva em consideração a legislação de 2006 que exige que as construções tenham sistema de aterramento. As condições elétricas da própria residência foram consideradas inseguras por 34% dos moradores. Dentre esses, 19% disseram já ter levado ao menos um choque elétrico.
PREVENÇÃO
O gerente de Segurança do Trabalho da Copel, João Alberto Kucek Junior, informou que dentro de casa, a maioria dos choques ocorre com crianças ou com pessoas que realizam reparos sem o conhecimento técnico necessário. "Para evitar os acidentes com as crianças, além da supervisão, os responsáveis devem observar se as instalações elétricas estão de acordo com as normas atuais de segurança. Uma fiação exposta, por exemplo, aumenta consideravelmente os riscos", alerta.
Kucek Junior aconselha a contratação de um profissional da área para reparos ou mesmo para a elaboração de um projeto elétrico. "A orientação é que a pessoa não faça por conta própria o que não sabe. O choque pode causar queimaduras e, em alguns casos, levar a óbito", adverte.
A porta-voz do 3º Grupamento dos Bombeiros de Londrina, tenente Luana da Silva Pereira, lembra outro tipo de acidente causado pela falta de manutenção na rede elétrica: os incêndios. "A maioria dos incêndios em residências tem origem em curtos circuitos. São fiações sem manutenção ou mesmo fora das normas de segurança", comenta. Para a tenente, a economia em itens de instalação elétricas é o barato que pode sair caro. "Um material de baixa qualidade pode acarretar em um incêndio que destruirá toda a casa."
Quando os acidentes se referem à rede da Copel, em área externa, a gravidade é ainda maior. Kucek Junior orienta as pessoas que se mantenham afastadas das fiações de alta tensão. Segundo ele, os casos mais comuns são na construção civil e com trabalhadores rurais. "Quem precisar fazer algum tipo de intervenção próxima à rede, deve acionar a Copel e, assim, evitar acidentes que geralmente resultam em mortes", aconselha. O telefone de contato da Copel é 0800-51-00-106. (Com Agência Brasil).


