Acidentes de trabalho matam 1,1 milhão por ano no mundo
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 12 (AE) - Um relatório divulgado hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela o quanto a segurança no trabalho ainda é precária. Todos os anos, morrem 1 1 milhão de pessoas em todo o mundo, vítimas de acidentes nesse setor. Esse índice supera a média anual de mortes no trânsito (999 mil), em guerras (502 mil) e provocadas por violência (563 mil). Ainda segundo o relatório, cerca de um quarto dessas mortes é resultado da exposição a substâncias perigosas que causam doenças como câncer, distúrbios cardiovasculares, respiratórios ou no sistema nervoso.
"A cada três minutos, uma pessoa morre por conta de um sinistro", afirmou o diretor para as Américas da OIT, Victor Tokman, durante a abertura do 15º Congresso Mundial sobre Segurança e Saúde no Trabalho. O evento, que vai até sexta feira (16), pretende reunir no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, cerca de 2 mil especialistas de mais de 50 países. "É preciso que todos se conscientizem da necessidade de se reverterem esses índices", afirmou.
A OIT estima que, até 2020, o número de doenças relacionadas ao trabalho deverá dobrar. "É preciso criar estratégias específicas, adequadas às características de cada país", afirmou o chefe do Programa de Saúde e Segurança da OIT, Jukla Takala. Ele lembrou que, em países industrializados, as prioridades devem ser concentradas em fatores psicológicos, em problemas provocados por tarefas repetitivas ou sobre o manejo de novos produtos. Já nos países em desenvolvimento, o ideal é que seja dada prioridade para segurança nas indústrias primárias
além de atenção para evitar acidentes, como vazamentos e incêndios. "Nesses países, um número significativo de mortes é provocado pela falta de informação sobre segurança e saúde."
O presidente da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Humberto Carlos Parro, afirmou que o número de acidentes no País vem registrando uma redução gradual desde a década de 70. Segundo ele, em 1975, eram registrados no Brasil 1,9 milhão de acidentes. Atualmente, esse índice foi reduzido para 400 mil acidentes anuais. "Nossas estatísticas são incompletas e falhas, mas, mesmo assim, podemos dizer que houve uma sensível redução dos acidentes." O presidente da Fundacentro não soube informar, no entanto, qual a posição do Brasil em relação aos demais países. "Pelos números disponíveis, a Suíça apresenta um número maior de acidentes que o Brasil", afirmou. "Mas isso ocorre porque os índices de subnotificação devem estar próximos de zero e, além disso, qualquer corte no dedo é registrado como acidente", comparou.
Apesar de o Brasil apresentar índices mais promissores do que há duas décadas, Parro afirma que ainda há falhas graves que precisam ser corrigidas. "A renovação tecnológica ajudou a reduzir os índices, mas, por outro lado, outros riscos vão surgir com as novas técnicas", afirmou. O presidente da Fundacentro afirmou que novas doenças começam a aparecer nos ambientes de trabalho, exigindo outras estratégias de pesquisa e mudanças nas atividades educativas dos empregados para diminuir os riscos de acidentes e doenças ocupacionais.


