Curitiba- Foi num acidente de carro, que a empresária Maria Elisa Paciornik, 60 anos, perdeu de uma só vez o marido (motorista) e o filho caçula que estava sem o cinto de segurança. ''Uma vida é pouco para se recuperar'', disse ela, que viveu a tragédia em 1994, ano em que uso do cinto ainda não era obrigatório, apesar da família toda já usar naquela época. Mas o pequeno, que tinha 10 anos, pediu para tirar o cinto porque queria esticar a perna que estava machucada. O outro filho que usava o cinto se salvou. ''A culpa foi nossa. Quando vejo uma criança sem o cinto de segurança me bate um desespero e tenho vontade de pedir aos pais que, por favor, protejam o seu filho. Achamos que nunca vai acontecer com a gente'', lembra Maria Elisa.
Seu alerta tem razão. O uso de equipamentos de segurança como bebê-conforto ou conversível (até 1 ano), cadeirinhas (1 a 4 anos), boosters ou assentos de elevação (até 36 kg) e cintos de segurança de três pontos (até 10 anos), reduzem em 70% os riscos de morte e lesões graves em crianças num acidente de trânsito. Por isso, a campanha ''Criança Protegida no Carro'', realizada em todo país, ontem, pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia aproveitou para divulgar as formas adequadas de transportar crianças visando diminuir o índice de mortalidade infantil no trânsito brasileiro. Em Curitiba, aconteceram diversas blitzen em frente de escolas para incentivar essas medidas preventivas entre pais e filhos.
O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) levantou que cerca de 2 mil crianças e adolescentes com idade até 17 anos morrem, por ano, no Brasil, em acidentes de carro. Já os que sofrem lesões são cerca de 37,8 mil. ''O cenário não é positivo. E os pais devem tomar essa responsabilidade para si, porque muitas sequelas adquiridas nos acidentes, como as cerebrais, na coluna e nos membros, podem ser para o resto da vida'', destaca o ortopedista e presidente da campanha, Edilson Forlin. ''No País, o índice de uso de equipamentos de segurança em crianças não chega aos 10%, ou seja, a grande maioria não está protegida, muitas vezes vai no colo ou em pé no carro'', critica ele.
Forlin diz que a compra dos equipamentos adequados custaria em torno de R$ 700,00. ''Não existe a desculpa de que é caro, até porque existe esse comportamento até nas classes mais abastadas. É uma questão cultural mesmo e que deve ser mudada'', incentiva. O diretor do Detran-PR, David Pancotti, lembra que o Código de Trânsito dá margem para que a prevenção não seja feita da forma correta. ''A legislação diz que a criança com idade inferior a 10 anos deve ficar no assento traseiro com cinto ou retenção equivalente. Queremos que uma resolução especifique o uso desses equipamentos para podermos notificar também a ausência deles'', informa ele, dizendo que esta será a proposta apresentada no encontro nacional de Detrans, no final do mês.

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