Acidentes com transporte irregular matam 7 no fim de semana
Passageiros eram transportados na carroceria de veículos; dezenas ficaram feridos
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segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Passageiros eram transportados na carroceria de veículos; dezenas ficaram feridos
Viviani Costa e Rafael Costa - Reportagem Local 
Dois acidentes envolvendo transporte irregular de passageiros resultaram na morte de pelo menos sete pessoas em rodovias estaduais do Paraná neste final de semana.

O caso mais grave foi registrado na noite de domingo (13), na Região Metropolitana de Curitiba. Uma caminhonete que transportava um grande grupo de pessoas na carroceria caiu em uma ribanceira na PR-092, entre os municípios de Doutor Ulysses e Cerro Azul. O motorista e três passageiros morreram no local. Duas pessoas que chegaram a ser atendidas não resistiram aos ferimentos e morreram horas após o acidente.
Pelo menos 18 pessoas, incluindo crianças, foram socorridas com a ajuda da PRE (Polícia Rodoviária Estadual) e encaminhadas a hospitais em Curitiba. Até o fim da tarde desta segunda-feira (14), três permaneciam internadas no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie e quatro no Hospital do Trabalhador.
O grupo retornava de um evento religioso. Segundo o comandante da PRE no Paraná, tenente-coronel Olavo Vianei, foram quase dez horas de atendimento no local. “É uma estrada não pavimentada, em declive. No final da reta, antes de iniciar a curva, o veículo teve uma saída de pista com capotamento e queda em ribanceira. Era um local de difícil acesso, área rural. Eram quase 40 quilômetros de estrada de chão até chegar nas vias pavimentadas. Nessas estradas de chão, alguns trechos são muito estreitos”, detalhou.
O tenente-coronel não soube precisar quantas pessoas no total eram transportadas no veículo, já que várias vítimas com escoriações leves deixaram o local do acidente antes da chegada das equipes.
Conforme Vianei, a caminhonete é de 2018 e aparentava boas condições de uso. No entanto, não estava com o licenciamento em dia e, por isso, não poderia trafegar. O motorista estava com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vencida há mais de cinco meses. Ele era filho do proprietário do veículo e morreu no acidente.
Segundo a PRE, o proprietário do veículo cometeu duas infrações: entregar a caminhonete para um condutor com CNH vencida e atrasar o pagamento de tributos. Já o motorista cometeu outras duas: dirigir com CNH vencida e transportar passageiros no compartimento de carga.
“Não conseguimos apurar, nesse caso, se foi causa humana, se foi causa mecânica, questão de visibilidade ou animal na pista. As causas ainda são desconhecidas”, explicou. A investigação sobre as causas do acidente será conduzida pela Polícia Civil de Doutor Ulysses.
Em outro acidente registrado em Mandaguari (Noroeste), uma pessoa morreu e oito ficaram feridas na noite de sábado (12). Segundo informações do Corpo de Bombeiros, ao todo, nove pessoas ocupavam uma caminhonete que trafegava pela PR-444, e sete estavam na carroceria do veículo.
INFRAÇÃO GRAVÍSSIMA
O transporte de passageiros em compartimento de carga é infração gravíssima e resulta em sete pontos na carteira, além de multa no valor de R$ 293 e apreensão do veículo.
“Essa conduta da improvisação não é muito comum, mas nós temos verificado e o condutor deve evitar essa prática porque, no caso do acidente, as pessoas são projetadas para fora dos veículos e o esmagamento é muito recorrente”, alertou o comandante da PRE.
Apesar de mais frequente em perímetro urbano e estradas rurais, o transporte de passageiros em compartimentos de carga também ocorre em rodovias federais. Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), houve 118 flagrantes entre janeiro e setembro de 2019 em rodovias federais no Paraná — mais do que os 93 registrados no mesmo período do ano passado.
De acordo com o policial rodoviário federal Fernando Oliveira, chefe do Núcleo de Comunicação da PRF no Paraná, a infração geralmente é cometida para deslocamentos curtos e em situações em que o motorista não espera encontrar fiscalização.
“Ainda existe essa cultura do ‘cabe mais um’, ou de achar que em deslocamentos curtos não há perigo. Mas o fato é que boa parte dos acidentes acaba acontecendo perto das residências das vítimas”, disse.
A situação mais comum nas estradas é o transporte de crianças em porta-malas de carros já acima da lotação. Também são comuns, contudo, casos de pessoas transportadas em caminhões-baú.
“Mesmo em compartimentos fechados, os passageiros ficam soltos, porque não há cinto de segurança, e são arremessados contra as laterais ou o teto em caso de acidente. A situação de segurança é muito precária. As pessoas jogam com a sorte”, acrescentou Oliveira. “Mesmo em baixa velocidade, elas estão sujeitas a lesões físicas de grande gravidade, porque estão totalmente desprotegidas.”
FERIADO
Ao todo, 14 pessoas morreram nas estradas do Paraná no período do feriado de Nossa Senhora Aparecida — nove em rodovias estaduais e cinco em rodovias federais. Foram 119 acidentes no total.
O BPRv (Batalhão de Polícia Rodoviária) da PM (Polícia Militar) realizou uma operação de fiscalização e reforço de policiamento entre as 14 horas da sexta-feira e as 23h59 do domingo. Houve queda de 21,43% no número de acidentes nas rodovias estaduais na comparação com o feriado de 2018, que teve um dia a mais. Não houve operação especial nas rodovias federais. A fiscalização de rotina registrou 64 acidentes.(Atualizado às 20 horas)


