Londrina - ''Tem uma cobra'', berrou a dona de casa Givaldina Félix Rocha, já pulando da cama rumo à sala da casa, localizada no Jardim Ideal (Zona Leste de Londrina). ''Eu estava deitada. Só tinha a luz da tevê. A cobra veio deslizando pelo travesseiro em direção a minha cara. Quando vi a sombra dela berrei'', contou.
Na hora, noite de terça-feira, ninguém da família acreditou que tinha uma animal peçonhento no quarto. ''Ficaram falando que era uma lagartixa, até minhoca''. Neste momento, o aposentado Sebastião Horácio Leite, dono da casa e cunhado de Givaldina, foi chamado. ''Eu estava quase dormindo. Fui lá para o quarto meio sonolento. Eu brinquei que era uma minhoca, não tenho medo de cobra'', disse.
O aposentado de 64 anos ficou tentando tirar a cobra, de aproximadamente 40 centímetros, com um cabo de vassoura. ''Eu esmaguei ela num canto e aí ela veio para cima de mim. Picou duas vezes meu pé. Quando vi que já tinha picado peguei ela com a mão'', recordou. Familiares contam que o aposentado chegou a brincar um pouco com o animal. Depois pegou um alicate e esmagou a cabeça da cobra.
A família chamou socorro e Sebastião foi levado para o Hospital Universitário (HU), com o réptil morto. ''A cobra não era venenosa. Fizemos a limpeza da ferida e tomamos medidas para evitar uma infecção'', afirmou a coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) do HU, Conceição Turini.
Esta não foi a primeira vez que um animal invadiu a casa de Sebastião. ''Já apareceu umas aranhas grandes aqui. Aqui perto direto a gente ouve história de cobra. Na vizinha apareceu uma no tanque dela na semana passada. É que aqui em volta está tudo abandonado, tem esse matagal e também casas demolidas há pouco tempo e ninguém veio limpar. Além dos animais tem um monte de água acumulando. Vai dar dengue. A gente cuida do nosso quintal, mas não adianta'', alertou a esposa de Sebastião, Verina. Na rua em que vivem no Jardim Ideal, desde 1995, numa região de fundo de vale, não há asfalto.
De acordo com coordenadora do CIT, pessoas atacadas por animais possivelmente peçonhentos como cobra, aranha ou escorpião devem lavar bem o local da picada com água e sabão e em seguida procurar atendimento médico. Não é recomendado fazer torniquete nem cortes ou perfurações. As pessoas também não devem tentar sugar o veneno.
Na região de Londrina o HU é referência quando se trata de bichos venenosos. ''Se possível, é bom trazer o animal também, pois facilita a identificação para saber se é peçonhento e qual o soro deve ser utilizado. Dificilmente essas espécies vão para a área urbana, a não ser que seja perto de uma data abandonada, matagal'', declarou ela, que atua no CIT há mais de 15 anos. A cobra que picou Sebastião não foi identificada. Mas é certo que a espécie não aprecia cabos de vassoura, nem alicates.

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