Demétrio Weber
Agência Estado
De Brasília
Na quinta-feira, o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron) promove a simulação de um acidente nuclear nas Usinas de Angra 1 e 2, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O objetivo é testar a eficiência do sistema de segurança para remoção da população num raio de cinco quilômetros das usinas. O exercício deve começar às 8 horas e terminar às 17h30.
‘‘A usina tem seus riscos, que são quase desprezíveis se tomadas todas as medidas de segurança’’, disse ontem o diretor de Programas Nucleares e Bens Sensíveis do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ruy Pinheiro de Vasconcellos. Cerca de 12 mil pessoas vivem na área considerada de risco – em um raio de cinco quilômetros. A distância, segundo o diretor, segue parâmetros internacionais.
No acidente nuclear em Tokaimura, no Japão, no final de setembro, as autoridades locais determinaram inicialmente que a população de um raio de dez quilômetros da usina não saísse de casa. A diferença, segundo os técnicos brasileiros, é que a usina japonesa processava urânio, elemento muito mais perigoso do que o plutônio usado na geração de energia em Angra 1 – a usina de Angra 2, também de geração de energia, só começará a funcionar no ano que vem.
A simulação de quinta-feira vai custar cerca de R$ 450 mil e envolver a prefeitura de Angra dos Reis, as Forças Armadas e técnicos dos governos estadual e federal.
O responsável pela execução do plano de emergência e assessor do Sipron, coronel Nelson Pinto Homem, disse que até 200 voluntários – incluindo habitantes de ilhas próximas – deverão ser deslocados da área de risco para os 20 abrigos em escolas da região. Os abrigos têm espaço para no máximo 6 mil pessoas, a metade da população que vive na área de risco. ‘‘Numa situação real, as demais pessoas buscariam abrigo na casa de parentes e amigos’’, disse Homem.

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