Acidente pára principais vias de São Paulo
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terça-feira, 11 de abril de 2000
Por Maurício Moraes 
São Paulo, 12 (AE) - Um acidente entre dois caminhões na Marginal do Tietê provocou congestionamentos nas principais vias de São Paulo durante toda a manhã de hoje. Apesar de ter ocorrido a poucos metros da Ponte dos Remédios (zona oeste), no sentido Penha-Lapa da pista expressa, a colisão causou lentidão até na Rodovia Ayrton Senna. "A Marginal ficou parada de ponta a ponta", afirmou o sargento Valdir Marques da Silva, do 3.º Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran).
Quatro caminhões trafegavam em comboio na Marginal do Tietê, às 6h20, quando o motorista Enio Cardoso, de 35 anos, teve de frear. "De repente, o trânsito parou", disse. De acordo com ele, o caminhão que o seguia, o Scania de placa IIP-9093, de Taquaruçu do Sul, estava em alta velocidade e não conseguiu brecar. Acabou colidindo com uma Kombi e, em seguida, bateu na traseira do veículo dirigido por Cardoso.
A polícia vai investigar se o ajudante Gilmar Antonio Gabi, de 25 anos, dirigia o Scania sem possuir carteira de habilitação. Cansado, o motorista Roberto Piccini, de 21 anos, teria pedido a Gabi para que conduzisse o veículo. O comboio havia partido de Minas Gerais e levava soja para o Porto de Santos. Para chegar às Rodovias Anchieta e Imigrantes, que ligam São Paulo à Baixada Santista, os caminhões têm de passar pelas Marginais.
O ajudante ficou preso nas ferragens e machucou a perna direita. Piccini teve ferimentos leves. O helicóptero águia da Polícia Militar chegou a pousar no local. Como a vítima não tinha ferimentos graves, foi levada para o Pronto-Socorro Municipal da Lapa pelo resgate do Corpo de Bombeiros, pouco antes das 9 horas. Gabi foi liberado às 12h30.
A retirada dos veículos da Marginal do Tietê ocorreu às 9h15. Mas a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) calcula que os reflexos no trânsito terminaram apenas por volta do meio-dia, quase cinco horas e meia depois do acidente. Houve lentidão também na Rodovia Presidente Dutra e, principalmente, nas Avenidas 23 de Maio, Rubem Berta e Moreira Guimarães.
Para o gerente de Engenharia de Tráfego da CET Ronaldo Camargo, uma das possíveis causas da batida foi a transição da estrada para a via urbana. Segundo ele, o problema ocorre quando veículos que estão em uma rodovia, em alta velocidade, se vêem obrigados a passar pelas avenidas de uma cidade. Nesses casos, o diferente tipo de tráfego acarreta estresse adicional aos motoristas e aumenta a probabilidade de acidentes.
Todos os caminhões envolvidos na colisão da manhã precisavam passar pela capital para atingir outra estrada. "Se houvesse o Rodoanel, os motoristas não ficariam estressados por saírem de uma rodovia e entrar no trânsito da cidade", explicou. Ele ressalvou que a frota de São Paulo cresce anualmente. Segundo Camargo, se o número de carros e caminhões aumentar muito, o Rodoanel pode não ser suficiente para resolver o impasse de transição rodovia-avenida quando estiver pronto.


