Acidente nuclear no Japão manda três funcionários para o hospital
Tóquio, 30 (AE-AP) - A reação nuclear que levou ao pior acidente nuclear da história do Japão foi encerrada na manhã de sexta-feira (01, pelo horário local), informou o o governador da prefeitura (estado) de Ibaraki.
"A prefeitura (estado) recebeu a confirmação às 6h15 da manhã de que a reação em cadeia foi paralisada", afirmou o governador Masaru Hashimoto.
Funcionários de uma usina de processamento de urânio no nordeste do Japão foram responsáveis pela cisão de quinta-feira, lançando radioatividade no ar.
Três funcionários foram internados, dois deles correndo risco de vida pela exposição à radiação. A transmissora NHK informou que pelo menos 39 pessoas ficaram expostas à radioatividade. A gravidade de tais exposições não estava imediatamente clara.
O acidente, considerado crítico, envolveu 16 quilos de urânio da usina do povoado de Tokaimura, na prefeitura (estado) de Ibaraki, cerca de 110 quilômetros a nordeste de Tóquio.
O secretário-chefe do gabinete, Hiromu Nonaka, disse hoje que há um "grande risco" de um "incidente crítico" - o que significa o ponto em que uma reação nuclear em cadeia se torna auto-sustentável.
Cento e cinquenta pessoas que moram nas proximidades da usina foram retiradas de suas casas e cerca de 313 mil pessoas em um raio de 10 quilômetros receberam ordem de permanecer trancadas em casa.
As autoridades japonesas anunciaram que começaram, na primeira etapa de uma operação para tentar conter o grave acidente nuclear, a extrair a água de resfriamento que se filtra desde a usina para reduzir o nível de radiação que era 15 mil vezes superior ao normal, ou 3,1 milisieverts (mSv - unidade de medida da radiação) de nêutrons por hora, a dois quilômetros de distância da instalação.
Uma unidade de guerra química da Força Terrestre de Autodefesa do Japão (GSDF) foi enviada para a área, mas de acordo com funcionários da Defesa, o GSDF não tem peritos em radiação e as roupas usadas pela unidade não são à prova de radiação.
Apesar de não ter recebido nenhuma solicitação oficial, o presidente norte-americano, Bill Clinton, disse que os Estados Unidos farão tudo o que estiver a seu alcance para ajudar o Japão. A agência de notícias Kyodo informou, citando altos funcionários do governo, que o Japão está considerando pedir ajuda das Forças Armadas dos Estados Unidos.
A Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA) decidiu hoje à tarde enviar uma equipe de peritos à usina de Tokaimura apesar de considerar que não se trata de um acidente de grandes proporções. Segundo David Kyd, porta-voz da AIEA, o acidente, em uma escala de 0 a 7, parece classificar-se entre 2 e 3.
Um acidente de nível 2 tem efeitos limitados ao lugar da fuga radioativa, o nível 3 implica efeitos além do lugar, com consequências ao ambiente e aos seres humanos.
De acordo com fontes médicas japonesas, os dois funcionários que estão em estado grave absorveram radioatividade equivalente a 8.000 milisievert, nível 4.000 vezes superior ao que uma pessoa pode ser submetida em um ano. "É como se os dois trabalhadores tivessem sido expostos a uma explosão atômica", disse um médico.
Hisashi Ouchi, de 35 anos, e Masato Shinohara, de 39, foram internados em estado de choque, com diarréia, febre, um alto nível de glóbulos brancos e pele arrocheada, os típicos sintomas de radiação. O terceiro trabalhador, Yutaka Yokokawa, de 54 anos
tinha alguns dos sintomas, mas podia caminhar.
Os três funcionários da usina JCO Company, subsidiária da Sumitomo Metal Mining Company, tinham misturado urânio com ácido nítrico para a fabricação de combustível nuclear, mas excederam-se na quantidade de urânio desatando uma reação anormal.
De acordo com a imprensa japonesa, um dos trabalhadores utilizou cerca de 16 quilos de urânio durante o processo, quando o normal é usar no máximo 2,3 quilos em cada procedimento.





