Acidente na Repar completa três anos
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quarta-feira, 16 de julho de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Araucária - Três anos depois do acidente na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e no qual 4 milhões de litros de óleo cru vazaram durante o bombeamento do produto atingindo os rios Iguaçu e Barigui, apenas 40% da área atingida já foi recuperada e poderá ser devolvida para o meio ambiente.
A biorremediação do solo iniciou no dia 27 de agosto de 2000. Equipes da Petrobras, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e o técnico canadense Denis Milletti implementaram no solo atingido um material orgânico conhecido como ''sphag sorb'', uma espécie de musgo que tem a propriedade de digerir as moléculas de petróleo, desintegrando-as e tirando o potencial destas moléculas de agressão ao meio ambiente.
Um saco com dez quilos desse material absorve 60 litros de petróleo. ''O processo depende de cada solo. Temos que fazer um trabalho lento para não agredir a natureza'', explicou Fernando Henrique Falkiewicz, coordenador do Comitê Executivo do Rio Iguaçu.
A expectativa é a de que em dois anos toda a área seja recuperada. Os locais onde houve maior absorção do óleo no solo somam 14 hectares, cerca de 84 mil metros quadrados. Um levantamento demonstrou que 3,4 mil animais de espécies diferentes vivem na região. Duzentos e sessenta e nove foram retirados da área atingida e foram contaminados. Desse total, 195 morreram. Os demais foram submetidos a um tratamento no Zoológico de Curitiba e devolvidos ao meio ambiente.
A mata ciliar dos rios Iguaçu e Barigui, de acordo com Falkiewicz, foi recuperada. No entanto, a vegetação interna do Rio Saldanha está em fase de tratamento e readequação. ''Por volta de 40% da vegetação já foram recuperados. Mas a área foi muito prejudicada'', explicou. O comitê faz monitoramento constante na região para saber os prejuízos do acidente.
Os ambientalistas que cobraram solução para o problema, não voltaram ao local. A ambientalista Lídia Lucascki, uma das mais atuantes da região, disse ontem que a área mereceria uma vistoria por parte da imprensa e de ambientalistas. ''Há muito tempo fui lá. Mereceria uma vistoria antes de falarmos sobre a recuperação ambiental no local'', disse ela.
Enquanto a recuperação ambiental está sendo realizada, os trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Refinação, Destilação, Exploração e Produção de Petróleo no Paraná e Santa Catarina (Sindipetro) protestam contra as demissões realizadas há três anos com a justificativa de que ocorreu falha humana. Quatro funcionários foram demitidos. Outros 1,8 mil tiveram que ser atendidos pela Petrobras por problemas médicos decorrentes da limpeza e remoção do óleo.
Dois trabalhadores contratados temporariamente tiveram os membros inferiores paralisados. O secretário jurídico do Sindipetro, Mário Dwalzot, reclama que os trabalhadores não tiveram assistência jurídica ou médica.


