Acidente mata 53 na Via Anhanguera
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terça-feira, 08 de setembro de 1998
Agência Estado 
Cinquenta e três pessoas morreram e 35 ficaram feridas na madrugada de ontem, num dos acidentes mais graves dos últimos anos na Rodovia Anhanguera, no interior de São Paulo. O acidente envolveu dois ônibus com 98 romeiros de Anápolis (GO) - que voltavam de uma excursão a Aparecida (SP) -, uma carreta carregada com 32 mil litros de combustível e um caminhão carregado com aguardente. Todos pegaram fogo.
O acidente aconteceu por volta das 3 horas, na altura do quilômetro 178, perto do município de Araras (SP). A carreta Scânia, placa BUS 9071, de Bebedouro, carregada com seis mil litros de gasolina e 26 mil litros de óleo diesel, explodiu depois de sair da pista e capotar no canteiro central da rodovia.
O combustível que vazou escorreu pelo canteiro por cerca de 500 metros, causando um grande incêndio na pista sentido interior-capital. Os ônibus com os romeiros e o caminhão de bebidas não conseguiram desviar e também pegaram fogo. Além de 49 romeiros, morreram no local os quatro motoristas dos veículos envolvidos.
O cenário era de desespero total, disse o tenente do Corpo de Bombeiros de Araras Júlio Cesar Silva Brito, um dos primeiros a chegar no local. A maior parte das vítimas estava presa nas ferragens e morreu queimada, contou. Segundo ele, as equipes de socorro, de Araras, Pirassununga, Leme e Limeira, chegaram ao local cerca de quinze minutos depois de acionadas.
Quando chegamos, só conseguimos retirar as pessoas que estavam caídas fora dos ônibus, disse o bombeiro. De acordo com Brito, o incêndio nos veículos impediu a aproximação e o fogo só foi dominado por volta das 5h30. As vítimas, segundo ele, estavam irreconhecíveis.
Dos ônibus sobraram apenas os chassis retorcidos. Cerca de dez horas depois do acidente os bombeiros ainda encontravam ossos calcinados no local. Eles procuravam objetos que pudessem ajudar na identificação dos mortos. Até as 10 horas a única vítima fatal identificada era o motorista da carreta de combustível, José Carlos Saraiva, de 35 anos. O caminhão, ano 84, pertencia ao auto-posto Pioneiro, de Bebedouro. O dono do posto, Osmar Aparecido Garnica, chorou ao chegar no local, por volta das 11 horas. Quando vi a notícia pela televisão, gelei por dentro, disse.
De acordo com Garnica, o motorista havia saído de Bebedouro por volta das 17h30 de segunda-feira, com destino à Refinaria de Paulínia. O dono do posto considera difícil a hipótese de o motorista ter dormido ao volante. Ele passou três dias descansando antes de fazer esta viagem, disse. Garnica levantou a hipótese de a carreta ter saído da pista depois de ser atingida por trás por um dos ônibus. O dono do caminhão procurou o tacógrafo, mas o aparelho, que registra a velocidade do veículo, foi destruído no incêndio. O caminhão de bebidas, placas GOF 4568, era do município de Pinheiro Preto (SC).
Os dois ônibus pertenciam à empresa Centro-Oeste Turismo, de Anápolis (GO), onde morava a maior parte das vítimas. A excursão havia saído de Goiás na sexta-feira à noite, com destino à basílica Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). O acidente aconteceu quando os romeiros já haviam percorrido metade do caminho de volta, de cerca de 600 quilômetros.
Por volta das 10h30, chegaram ao local o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José da Silva Guedes, o secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública, Luiz Antonio Alves de Souza, e o diretor do Instituto de Criminalística de São Paulo, Valdir Santoro. Por volta das 11 horas, Souza determinou que os corpos fossem transportados de Araras para o Instituto Médico Legal de Campinas. Os sobreviventes foram alojados no Albergue de Leme e os feridos graves levados para hospitais da região.
A identificação dos 53 corpos será bastante difícil, pois a maioria está carbonizada. A previsão é do médico legista Fortunato Badan Palhares, que coordena uma equipe de oito profissionais encarregados do caso.
Dos 10 corpos que até agora verificamos nove estão em situação bastante ruim e será difícil a identificação até pela arcada dentária, disse Badan Palhares. O perito afirmou que o exame de DNA será o último recurso utilizado para identificar os corpos.


