Acidente mata 14 e deixa 35 feridos
Ônibus com grupo de evangélicos perde os freios e tomba ao tentar desviar de um carro perto de Pindamonhangaba (SP)
Júlio Ottoboni
Agência Estado
Um acidente na serra de Campos do Jordão, no final da noite de anteontem, deixou 14 mortos, 9 feridos graves e 26 leves. O ônibus da empresa Transtur Neusa, placa BYA-9096, de São Paulo, descia rumo ao Vale do Paraíba em alta velocidade quando perdeu os freios e tombou. O coletivo parou à beira de um abismo de 200 metros de profundidade após chocar-se contra uma árvore. A violência do impacto lançou vários passageiros para fora do veículo. A operação de resgate demorou mais de seis horas.
Por volta das 22h10, no quilômetro 29,4, da estrada Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), que liga Pindamonhangaba a Campos do Jordão, o motorista do ônibus, Azemar Cardoso Pessoa, tentou desviar de um Chevette e acabou tombando. Segundo policiais rodoviários estaduais que se encontravam nas proximidades, no momento o coletivo estava 80 quilômetros por hora e não usava o freio motor.
O coletivo levava 48 integrantes da Igreja Adventista de São Paulo, moradores do bairro Lausane Paulista. Eles retornavam do Congresso de Jovens da Igreja Adventista, em Campos do Jordão. A maioria dos acidentados tem entre 14 e 25 anos. Morreram no local 10 mulheres, um homem e Luane da Silva Evangelista, de 1 ano e oito meses. A polícia ainda não identificou quatro corpos. Essas pessoas estavam sem documentos e ficaram irreconhecíveis.
Os feridos foram levados para os prontos-socorros de Taubaté, Campos do Jordão e Pindamonhangaba. Além dos hospitais Santa Isabel e Universitário, ambos em Taubaté. Participaram da operação de resgate integrantes da Defesa Civil, Bombeiros, soldados do Exército de Taubaté e policiais rodoviários. A pista ficou parcialmente interditada até as 5 horas da manhã.
Os corpos ficaram muito mutilados e houve dois casos de separação da cabeça do tronco. Para o pronto-socorro de Campos do Jordão foram enviados na madrugada 31 feridos. Segundo o diretor clínico do centro médico, Mário Franchi Stevano, a situação das vítimas do acidente era assustadora. ‘‘Parecia que estávamos vivendo uma situação de guerra, tinha gente ferida em todos lugares’’, contou. Os casos mais graves foram enviados para as cidades do Vale do Paraíba.
O motorista Azemar Pessoa sofreu apenas um pequeno corte na mão e foi salvo pelo cinto de segurança. Ele afirmou ter perdido os freios do veículo quando tentou ultrapassar o Chevette. Nas demais poltronas do ônibus não havia cintos de segurança.
O advogado da Associação Paulista Leste, órgão da Igreja Adventista, João Mariano da Silva, informou que esperará o laudo final sobre as causas do acidente para estudar as medidas judiciais necessárias. ‘‘No momento vamos auxiliar os sobreviventes e as famílias das vítimas’’, disse.
A Polícia Rodoviária Estadual divulgou a lista dos mortos já identificados: David Eduardo Gusmão, Tereza Candida Maurício, Daniela Carvalho da Silva, Rosangela Maria de Lima, Daniel da Silva, Nair de Souza Marçal, Rita de Cássia Gusmão, Aline Colusso dos Santos e Sheila Aparecida Evangelista e sua filha Luane da Silva Evangelista. As outras quatro vítimas ainda estão sem identificação. Os corpos foram levados para o necrotério do Cemitério Memorial da Paz, em Pindamonhangaba. Dos feridos, 28 tiveram alta durante o dia.

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