São Paulo, 15 (AE) - O desabamento do Edifício Palace 2, em 22 de fevereiro de 1998, no Rio, causou a morte de oito pessoas, chocou o País e lançou luz sobre as atividades do deputado do PPB mineiro Sérgio Naya, dono da construtora Sersan. Nos dias que se seguiram ao colapso do edifício, provocado por "erro de cálculo e uso de material não recomendável" nos pilares, o Brasil descobriu que Naya respondia a 908 processos; tinha seis obras embargadas por problemas técnicos; devia R$ 13 milhões ao Banco do Brasil; e tinha cobranças judiciais de R$ 24 2 milhões.
Apesar disso, gabava-se de sua fortuna de R$ 500 milhões. Além de um hotel em Brasília, era dono de 15 emissoras de TV e 20 de rádio em Minas, 800 imóveis nos Estados Unidos, 3 mil na Espanha e 5 mil em São Paulo. Naya deu mostras do modo como construiu tal fortuna na gravação em vídeo de uma conversa com vereadores mineiros, divulgada uma semana após a tragédia. Na fita, admitia usar material de segunda mão em obras e ter falsificado documentos para tocar obras.
Orlando - O mandato de Naya foi cassado em 15 de março do ano passado, duas semanas depois de a Justiça ter bloqueado seus bens no Brasil. Mas ele mantém-se em atividade em Orlando, Flórida, onde construiu um condomínio de dois prédios. A Universal Studios tentou comprar o condomínio, oferecendo, segundo fontes do mercado local, US$ 45 milhões. Naya pediu US$ 75 milhões e o negócio não saiu.

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