Acidente de trem na Índia deixa 80 mortos
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Santosh Jha<br> France Presse 
Gaya, Índia - Pelo menos 80 pessoas morreram segunda-feira à noite e 180 ficaram feridas quando um trem rápido descarrilou no leste da Índia devido, segundo as primeiras hipóteses, a uma ''sabotagem'', informaram fontes ferroviárias indianas.
Sessenta e sete corpos foram recuperados e 13 pessoas morreram no hospital por causa de seus ferimentos, precisou à agência Press Trust of India um dirigente ferroviário local, K.K.Saxena.
As equipes de resgate tiveram que retirar os corpos e os sobreviventes pelas janelas quebradas do trem. O comboio descarrilado era de luxo, pois tinha ar condicionado e as passagens custavam 150 dólares, montante muito superior ao salário mensal indiano.
Saxena explicou que o descarrilamento do Rajdhani Express, que transportava 535 passageiros entre Nova Délhi e Calcutá (leste), ocorreu segunda-feira à noite em Gaya, no setor de Rafiganj (Estado de Bihar, leste). Oito vagões viraram completamente e dois ficaram perigosamente suspensos de uma ponte sobre o rio Dhabi. Um dos vagões caiu no rio.
Segundo os dirigentes ferroviários, o balanço pode se agravar, e um sobrevivente disse ter visto as equipes de resgate, que trabalham em más condições por causa do mau tempo, retirar 150 corpos da carcaça do trem.
As causas do acidente são objeto de polêmica entre os dirigentes ferroviários e o vice-premier indiano Lal Krishna Advani. O ministro indiano das ferrovias, Nitish Kumar, que foi ao local, defendeu a hipótese de um atentado.
''À primeira vista, parece ser uma sabotagem'', disse Kumar à imprensa. ''Alguns trilhos, perto da ponte (onde ocorreu o descarrilamento), foram retirados ou desapareceram. E por isso acho que se trata de uma sabotagem'', assinalou, precisando que o trem circulava a 130 km/hora no momento do acidente.
''Se tivéssemos qualquer dúvida sobre as condições dos trilhos, teríamos imposto limites de velocidade'', assinalou. ''Pode se tratar de uma sabotagem cometida pelo Centro Comunista Maoísta (MCC)'', afirmou por sua vez o secretário de estado indiano das ferrovias, Bandaru Dattatreya.
O distrito de Gaya é o feudo da guerrilha maoísta de Bihar, um dos Estados mais pobres e violentos da Índia. Indagado sobre o descarrilamento, Advani falou de ''acidente'', indicando que não dispunha de informação noutro sentido.
As ferrovias indianas, que transportam diariamente 13 milhões de pessoas, contam com uma das maiores redes do mundo mas também uma das mais obsoletas. Um relatório do governo assinalou ano passado que era necessário substituir 515 pontes e consertar 12.260 km de trilhos.


