Na Rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, pouco se fala sobre o acidente que há dois anos matou 99 pessoas - passageiros e tripulantes do vôo 402 da TAM, dois moradores e um pedestre. O avião caiu pouco depois de decolar do Aeroporto de Congonhas rumo ao Rio de Janeiro. As casas da rua atingidas pelo avião já foram reconstruídas.
‘‘Ninguém lembra mais disso’’, garante o lavador de automóveis Airton de Nascimento Siqueira. As famílias das vítimas dizem ter a mesma sensação de esquecimento por parte das autoridades. Em 24 meses há uma série de ações em andamento na Justiça e o inquérito policial ainda não foi concluído.
De acordo com o delegado Romeu Tuma Júnior, responsável pelo inquérito, o fato de o Ministério da Aeronáutica ter demorado para preparar o laudo prejudicou o trabalho. ‘‘Todo o atraso não pode ser atribuído ao Ministério Público, à polícia nem à Justiça’’, diz. ‘‘O laudo chegou, incompleto, em setembro.’’
Agora, segundo Tuma Júnior, será preciso avaliar as informações já disponíveis e acrescentar outras. ‘‘Temos uma reunião com o promotor na terça-feira para resolver isso’’, afirma. ‘‘Quero crer que vamos terminar tudo em 90 dias.’’
O Ministério da Aeronáutica foi procurado ontem, no início da tarde, para esclarecer o atraso na entrega do laudo à polícia, mas o expediente havia sido encerrado ao meio-dia.

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