Acidente com sangue ameaça profissionais
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em média, 60 profissionais da saúde ou funcionários de estabelecimentos hospitalares são atendidos todos os meses no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, vítimas de acidentes com material biológico sangue ou secreção que podem estar contaminados. Apesar desse tipo de acidente ser de notificação compulsória, conforme estabelece a portaria nº 777, do Ministério da Saúde, de 28 de abril deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde não tem um levantamento do total de acidentes.
De acordo com Cristina Ribeiro de Araújo, médica do trabalho do Centro Estadual de Saúde do Trabalho órgão vinculado à secretaria , em 2002 (único dado disponível) os estabelecimentos hospitalares registraram o maior número de acidentes entre os trabalhadores, ganhando, inclusive, da construção civil que, historicamente, era o setor que liderava o ranking de acidentes.
Em todo o Paraná, segundo o anuário estatístico da Previdência Social, foram registrados, em 2002, 27.477 acidentes de trabalho. Dos 7.417 Comunicados de Acidentes de Trabalho (CAT's) que chegaram à Secretaria de Estado da Saúde, informou Cristina, 1.049 deles, ou o equivalente a 14,1% do total, aconteceram em hospitais. Em Londrina, de janeiro até agora foram cerca de 70 CAT's em hospitais. Nesse levantamento estão contabilizados acidentes de todo tipo e não só com material biológico.
A médica Cristina Ribeiro supõe que o que vem se tornando crescente são as notificações e não, necessariamente, o número de acidentes. Ela acredita que a preocupação com a Aids, por exemplo, fez com que os profissionais da saúde passassem a notificar os acidentes com materiais pérfuro-cortantes (agulhas, bisturis, etc.) para a adoção de medidas preventivas.
O Hospital do Trabalhador é um dos oito centros do Paraná, considerados de referência no atendimento a acidentes de trabalho com material biológico. O médico do trabalho e responsável pelo setor, Hermann Guimarães, garantiu que nos últimos 18 meses, nenhum dos pacientes atendidos no Hospital do Trabalhador se contaminou depois de um acidente. Segundo ele, a literatura médica aponta que a incidência do desenvolvimento de doenças entre profissionais da saúde é de 0,3%. As doenças que mais preocupam são a Aids, a hepatite B e C. O maior contingente de acidentados são os auxiliares de enfermagem.


