Acidente com P-36 eleva em 457% valor do seguro
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Chico Santos Agência FolhaDo Rio de Janeiro 
O acidente com a plataforma P-36 foi decisivo para que a Petrobras gastasse 457% mais que no ano passado na renovação do seguro de plataformas, refinarias, dutos e terminais. Liderado pela Bradesco Seguros, o consórcio que venceu a licitação, realizada ontem, cobrou US$ 48,8 milhões para segurar, pelo prazo de 14 meses, os bens, avaliados em US$ 20,9 bilhões.
No ano passado, o mesmo consórcio havia vencido a concorrência cobrando US$ 7,5 milhões para segurar os bens, de mesmo valor, pelo prazo de 12 meses. Descontados os dois meses adicionais do novo contrato, equivalentes a US$ 6,97 milhões, a estatal pagará US$ 41,82 milhões pelos mesmos 12 meses de contrato do ano passado, um número 457% maior que os US$ 7,5 milhões.
Segundo o gerente-executivo de Planejamento Financeiro da Petrobras, Gustavo Tardin, uma alta no valor do seguro já era esperada porque o mercado do setor já vinha subindo. Isso foi adicionado, sem dúvida, pelo acidente com a P-36, afirmou. Tardin não quis fazer uma estimativa do quanto o afundamento da plataforma teria contribuído para a alta do seguro.
Duas propostas foram abertas ontem pela Petrobras. O consórcio que apresentou o menor preço é formado pela Bradesco Seguros (líder com 40% do total), Itaú Seguros (30%), Unibanco Seguros (12%), Tokio Marine do Brasil (8%), AGF (8%) e Generali (2%). A outra proposta, no valor de US$ 50,8 milhões, foi apresentada pela Sul América Seguros.
Embora encabecem as propostas feitas à Petrobras, até por exigência da legislação (determina que o seguro seja feito por empresas com sede no País), as seguradoras nacionais assumirão um risco muito pequeno, em torno de 1% do patrimônio segurado. A quase totalidade do risco (99,02% no contrato que vence no dia 31) será assumida por empresas de resseguros (fazem o seguro do seguro), a maioria internacionais.
Tardin reafirmou ontem não haver risco de a empresa não receber a indenização pela P-36. A Petrobras espera receber US$ 500 milhões (valor do seguro), mais as despesas com a tentativa de salvamento da plataforma (ainda não reveladas).


