Acidente com o bondinho só assusta
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domingo, 22 de outubro de 2000
Sérgio Rangel Agência Folha Do Rio 
Um grupo de 65 turistas ficou suspenso em um dos carros do Bondinho do Pão de Açúcar, na Urca, zona sul do Rio, quando o cabo de aço que traciona os veículos se rompeu.
O acidente ocorreu por volta das 17 horas de sábado e o resgate dos passageiros só começou cerca de uma hora depois. José Aparecido de Souza, funcionário de uma empresa de ônibus que opera na área, foi atingido de raspão pelo cabo, ficando com ferimentos leves.
A diretora-geral da empresa Caminho Aéreo do Pão de Açúcar, Maria Ercília Leite de Castro, disse que não afasta a idéia de sabotagem, embora a considere remota. O diretor técnico da empresa, José Pelegrini, disse que a hipótese mais provável para o acidente é uma fadiga do cabo, segundo ele, trocado há quatro anos.
A diretora disse ainda que o sistema do bondinho não é vistoriado há três anos pelo Departamento de Instalações Mecânicas da Prefeitura do Rio. A concessão para operar os bondinhos está vencida desde o ano passado. A Prefeitura e a operadora vão iniciar hoje a perícia para detectar a causa do acidente.
O resgate dos turistas que estavam no bondinho foi concluído após as 20 horas, mas até às 21 horas ainda continuava a descida, em bondes de resgate, das 350 pessoas que estavam no Pão de Açúcar e no Morro da Urca. A maioria dos turistas que ficaram presos era formada por brasileiros, norte-americanos e japoneses.
Quando o cabo se rompeu havia um bondinho em operação de descida, saindo da estação intermediária do Morro da Urca, a cerca de 200 metros de altura, e outro iniciando operação de subida, saindo da estação da Praia Vermelha.
O cabo rompido, que não interfere na sustentação dos veículos (eles são sustentados por outros dois), atingiu e amassou dois ônibus de turismo que estavam estacionados na praça de onde saem os bondes. Ele atingiu também o teto de um quartel do Exército.
Segundo o turista Jaime Lopes, de São Paulo, que estava aguardando embarque para subir o morro do Pão de Açúcar, quando houve o rompimento ouviu-se um barulho forte e o bonde que estava saindo balançou muito.
De acordo com o guia de turismo Édson Muniz, que estava no bondinho que parou na parte mais alta, com um grupo de nove turistas norte-americanos, não chegou a haver pânico porque o bondinho estava quase dentro da estação do morro da Urca. Segundo ele, alguns passageiros, todos brasileiros, chegaram a sentir-se mal. Os mais idosos, como a carioca Maria das Dores Beniti, 70, foram resgatados de helicóptero. Ela disse que não sentiu medo porque o bonde estava muito perto da estação. Muitas pessoas que estavam no alto do morro preferiram descer por trilhas, com medo de entrar nos pequenos bondes de resgate.


