Acidente com helicóptero mata banqueira
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 1999
Carlos Henrique Santiago Agência Folha 
A presidente do Banco Rural, Júnia Rabello, 45 anos, morreu ontem após um pouso forçado do helicóptero, prefixo PT-YVI, em que viajava. A banqueira retornava de uma das fazendas da família Rabello em Lagoa Santa (região metropolitana de Belo Horizonte).
Ela teve a cabeça atingida pelas hélices, quando saía do aparelho, e teve morte instantânea. O instrutor de equitação da banqueira, João Oscar Negrão de Lima, também foi atingido pelas hélices e foi internado, em estado gravíssimo, no hospital João 23, na capital mineira. Até as 17h30, ele permanecia na sala de cirurgia.
Luís Francisco Delcolfine, 51 anos, piloto do helicóptero, que pertencia ao banco, sofreu ferimentos e não corre risco de vida. Ele fez o pouso forçado às 11h40, depois de bater em dois coqueiros e perder o motor da cauda da aeronave.
O piloto conseguiu pousar o aparelho em uma mata próxima ao km 6 da MGT-262, estrada que liga Sabará a Belo Horizonte, a apenas 50 metros de um posto da PRE (Polícia Rodoviária Estadual).
O soldado Marino Paranhos, da PRE, que estava no posto, disse que viu o helicóptero pousando, mas não viu quando as vítimas foram atingidas porque estava telefonando para pedir socorro.
Segundo Nélio Brant, diretor do banco e presidente do Atlético-MG, a banqueira retornava de uma das fazendas da família Rabello , quando aconteceu o acidente. O piloto ainda conseguiu parar com muita dificuldade, depois de perder o motor da cauda. O helicóptero está normal por dentro. Acho que a fatalidade aconteceu na hora da saída deles do helicóptero, disse Brant.
Peritos da Polícia Civil de Minas Gerais e do Departamento de Aviação Civil estiveram ontem no local do acidente. Segundo um perito, a banqueira e o instrutor não teriam se machucado se permanecessem no interior do helicóptero até as hélices pararem.
Júnia Rabello começou a trabalhar em uma construtora do Grupo Rural na década de 70, quando ainda estudava engenharia civil. Aos 24 anos, assumiu seu primeiro cargo de direção. Passou por várias empresas do grupo até assumir sua presidência e a do Banco Rural em 1993, cargos em que permaneceu até o fim da vida. Ela tinha duas filhas.
Em 1994, foi aberto um inquérito para apurar como foram abertas, em uma das agências do banco em Brasília, contas fantasmas administradas por Rosinete Melanias, ex-secretária de uma empresa de Paulo César Farias, tesoureiro da campanha do ex-presidente Collor.
Sob a administração de Júnia Rabello, o banco apresentou um crescimento expressivo. No ano passado, o lucro líquido obtido foi de R$ 102 milhões, equivalente a 39,9% do patrimônio e a 84,15% a mais que o lucro alcançado em 1997.
No final de 1998, o volume de depósitos do banco era de R$ 933 milhões e as operações de crédito ultrapassaram R$ 1 bilhão. O grupo tem negócios na área imobiliária, uma investidora, uma corretora e uma seguradora, além uma provedora de Internet e uma sociedade com uma empresa canadense de telecomunicações.


