Acidente com bomba é investigado em São Paulo
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Israel Reinstein 
Um inquérito aberto pela Polícia Civil de Presidente Prudente, interior de São Paulo, investiga se uma bomba de efeito moral que decepou parte da mão de uma criança pertence ao Grupo Tigre, grupo de elite da polícia paranaense. O acidente aconteceu no dia 22 de janeiro, num campo de futebol da cidade, onde no início do mês um instrutor do Tigre teria treinado policiais da Polícia Federal paulista. O inquérito ainda não foi concluído, mas policiais de Presidente Prudente pretendem solicitar informações de seus companheiros paranaenses. Até ontem, nem a direção da polícia paranaense ou o Grupo Tigre foram comunicados oficialmente da acusação da Polícia Federal paulista.
Na delegacia de Presidente Prudente, os policiais informaram que existe suspeita de que a bomba, que pertenceria à PF paulista, teria sido cedida a um instrutor do Tigre. No entanto, esta informação depende de confirmação, que será dada após exames laboratoriais.
No entanto, o diretor da PF de Presidente Prudente, delegado Roberto Gurgel de Oliveira, considerou que esta possibilidade não está descartada. O delegado disse que o instrutor do Tigre teria recebido o material do curso da PF. Oliveira não forneceu o nome, acrescentando apenas que o policial teria sido treinado pela SWAT á- que é setor especializado da polícia norte-americana.
O delegado disse que a bomba foi deixada num centro de exposições de animais que fica ao lado de um campo de futebol. Neste centro, Diego Rafael Peixoto, 9 anos, teria entrado junto com o amigo Denilson Carneiro. Diego pegou a bomba que detonou na mão, decepando o dedo médio da mão direita, além de arrancar parcialmente o dedo indicador e polegar. Denilson ficou ferido com os estilhaços. A mãe de Diego, Mônica dos Santos Peixoto, deve entrar com um processo contra o Grupo Tigre.
A delegada do Tigre, Rosalice Benetti, disse que não pode se pronunciar sobre o caso, porque não recebeu nenhuma notificação oficial da PF de Presidente Prudente. Ela afirmou que como assumiu depois da ocorrência do fato, não poderia acrescentar algo mais nas investigações. Na época, quem coordenava o Tigre era o delegado Cláudio Nascimento. Procurado, Nascimento deu a mesma resposta de Rosalice, acrescentando que outras informações poderiam ser fornecidas pela atual delegada do Tigre.


