SÃO PAULO - Apontado como um dos militares mais violentos da região de Diadema e um dos principais responsáveis pelas torturas nas imagens gravadas por um cinegrafista amador nos dias 3, 5, 6 e 7 de março na Rua Naval, o soldado Nelson Soares da Silva Júnior perdeu a arrogância ao se ver no vídeo dando socos e atirando com seu revólver na direção do carro onde estava escriturário Mário José Josino.
O soldado e os demais acusados prestaram depoimento três vezes na Corregedoria da PM. Numa delas, depois de assistir a toda a movimentação da Rua Naval, Silva Júnior disse ao oficial que o interrogava: ‘‘Não sei o que deu na gente, acho que exageramos’’.
Silva Júnior está na 2ª Companhia do 24º Batalhão há mais de dois anos. A gravação da violência praticada por ele e seus companheiros foi rodada diversas vezes para cada um dos dez militares. Ao ver as agresões o soldado repetia: ‘‘Não é possível que eu tenha feito tudo isso, alguma coisa de ruim tomou conta do meu corpo e acho que é coisa do capeta’’.
O soldado Rogério Neri Bonfin, filmado esbofeteando um rapaz sem que ele reagisse ou falasse, abaixou a cabeça quando a fita de vídeo rodou. Antes de entrar na sala onde estavam os aparelhos de videocassete e TV, Bonfin negou todos os fatos relatados por um oficial sobre os golpes com cassetetes, coronhas de revólveres, socos e tapas nas pessoas que passavam pela rua. ‘‘É calúnia dos traficantes, pois estamos incomodando a bocada (ponto-de-venda de drogas) deles’’, afirmou.
Depois de ver seguidas vezes as cenas da violência que praticou, no entanto, Bonfin alegou que o lugar é perigoso e, por isso, não dava para separar o marginal do cidadão honesto. ‘‘Existem pessoas na favela que tiram a gente do sério e por isso de vez em quando precisávamos usar de energia’’, comentou ele com o oficial da Corregedoria.

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