'Achei que ele estava fora de controle'
Curitiba - O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade foi descrito pela primeira vez em 1902. O distúrbio de longa duração se manifesta por sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade. Não se sabe exatamente o que causa o transtorno, mas o fator hereditário é o mais importante.
O adolescente L.E.F.F, de 12 anos, é hiperativo. O diagnóstico foi feito quando ele estava com apenas um ano e seis meses. A avó, Walquíria Fernandes, que cria o menino desde o nascimento, percebeu cedo que algo estava errado. ''Quando ele começou a andar, já subia nas coisas e caía com tudo 500 vezes. Vivia com galos na cabeça. Subia em sofás e se dependurava nos quadros. Subia nas janelas e segurava nas telas. Tentava subir nos guarda-roupas com a ajuda de armários e camas. Achei que ele estava fora de controle e procurei um médico'', relatou ela.
No começo, ele foi tratado com medicamentos fortes. Com medo, Walquíria conta que deixou de dar os medicamentos. Aos 12 anos, L.E. nada mudou. Ele destrói tudo o que vê, abre os equipamentos só para ver o que tem dentro. O problema é que não tenta fechar tudo depois. Canetas? Nenhuma fica inteira. ''Ele é muito agitado. Em poucos segundos, destrói a caneta que está usando. Não consegue assistir televisão sentado. Levanta, senta, não pára quieto. Irrita todo mundo'', relata a avó. L.E. se sente desconfortável com o transtorno. Sofre. Mas tenta se controlar para ter uma vida normal. ''Eu tento fazer direito. Não sei o que acontece. Esqueço as coisas'', relata.
Walquíria diz que a atenção dele é mínima. Ela precisa pedir dez vezes a mesma coisa e mesmo assim corre o risco que ele esqueça algo no meio do caminho. ''Ele nunca termina o que faz. Peço para ele ir limpar o canil. Ele esquece o balde lá dentro jogado e a vassoura no caminho. Na aula é pior ainda. Ele precisa de reforço com professor particular. Nunca sabe o dia que uma prova foi marcada, quando tem que entregar trabalhos. É discriminado pelos professores porque é um cara que incomoda. Olha para as moscas e não para a professora. Parece um bobão'', conta.
L.E. há um ano tem feito trabalho com um psicopedagogo. As melhorias foram mínimas. ''Às vezes tenho vontade de esganá-lo. Em vez disto, acabo dando uns berros'', confessa.
O menino está na 5 série e reprovou um ano. ''Ele parece que está num mundo paralelo. O professor particular tem que estar sempre em cima para evitar que esqueça as tarefas ou deixe de estudar para a prova''. Walquíria considera o neto mais sensível do que outras crianças. ''Ele faz coisas loucas por amor. Conseguiu adestrar um periquito e saía com o bicho em todos os locais. Um dia não vi os dois juntos. O irmão dele me contou que ele dormiu com o periquito e acabou virando na cama em cima dele. Ele tem muito amor, mas pouca atenção e relação com consequências. Não consegue pensar em futuro'', diz ela.(L.P.)





