Achados crânios humanos em terreno de candomblé
Agência Folha
O delegado de Homicídios de Cuiabá (MT), Márcio Pieroni, disse ontem acreditar na hipótese de que o pai-de-santo José Augusto dos Santos, de 40 anos, tenha praticado sacrifício humano no terreiro de candomblé no bairro Osmar Cabral, periferia da cidade, onde foram achados enterrados crânios e ossos humanos. Segundo o delegado, há fortes indícios de que Santos tenha matado o farmacêutico Romualdo Pereira Barbosa, de 29 anos, desaparecido em 1995, e enterrado seu corpo no terreiro .
O pai-de-santo, em entrevista exclusiva à reportagem, após ser formalmente ouvido pela polícia no auto de prisão em flagrante por ocultação de cadáver e outras três acusações, negou os crimes e disse que os crânios eram retirados de cemitérios da cidade por terceiros. Santos declarou que os crânios eram comprados por R$ 100,00 e os trabalhos que fazia podiam chegar a R$ 8 mil cada um. Meus trabalhos nada têm a ver com candomblé. É um lado negro, um outro lado, disse o pai-de-santo.
As informações levaram a polícia, no final da tarde, a fazer investigações nas proximidades do cemitério Parque Cuiabá, onde moraria uma pessoa que forneceria centenas de crânios para diversos terreiros de candomblé na cidade, segundo Santos.
A Polícia Civil retomou ontem as escavações, com pás e picaretas, no interior da casa e no quintal da casa. O trabalho começou às 9 horas e acabou às 15, sem que novos ossos humanos fossem encontrados. A polícia e o Instituto Médico-Legal divergem sobre o material encontrado na casa. A reportagem contou, no IML, oito crânios intactos e outros cinco pequenos sacos plásticos onde poderia haver pedaços de outros oito crânios, segundo o coordenador-geral de perícia e diretor do IML, Alinor Antônio da Costa.
O diretor do IML informou, após a primeira perícia parcial nas ossadas, que a maioria dos crânios não é de crianças, como a polícia chegou a divulgar anteontem, mas de adultos. Haveria dois crânios intactos de adolescentes e outros dois crânios e ossos fragmentados de crianças. Segundo Costa, os ossos serão submetidos a exames de DNA para identificação das ossadas.
O delegado encontrou na casa onde eram realizados os trabalhos duas fotografias que considera intrigantes.
A primeira é a de uma criança nua, correndo entre árvores. A segunda é o de um bebê sendo seguro no colo por uma mulher com as palavras morte e para morrer escritas no verso da foto.
O interior da casa, de seis cômodos, foi toda pintada com desenhos de demônios e entidades do candomblé. Os crânios e ossos foram encontrados enterrados no piso da casa e no quintal sobre imagens de orixás.





