São Paulo, 06 (AE) - Os bancos prometem revolucionar o mercado de Internet no Brasil. Até agora, dois grandes bancos, Bradesco e Unibanco, ofereceram aos clientes acesso gratuito à Internet. Ambos reúnem 11,4 milhões de correntistas, número muito superior aos 7 milhões de internautas do País.
O próximo banco a anunciar a concessão de acesso gratuito à Internet será o Bilbao Vizcaya (BBV), instituição espanhola que comprou o Excel Economico. Acredita-se que o Itaú faça o mesmo. A direção do banco informou hoje que vai considerar a concorrência em suas iniciativas ligadas à rede. A Credicard também pode lançar serviço parecido.
A iniciativa dos bancos, entretanto, deve provocar briga com os provedores da Internet já estabelecidos no mercado, que cobram entre R$ 20,00 e R$ 40,00 por mês.
A Associação Brasileira dos Provedores de Internet (Abranet) anunciará hoje as medidas que pretende tomar contra a iniciativa dos bancos. Os provedores argumetam que os bancos estão infringindo a Lei de Telecomunicações, que no artigo 61 exige que o acesso à Internet seja feito por meio de um provedor. Eles alegam que esse não é o caso dos bancos. A reclamação será feita provavelmente à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O mercado financeiro recebeu muito bem a iniciativa do Bradesco e do Unibanco. No primeiro dia após o anúncio, as ações do Unibanco dispararam. A preferencial chegou a subir 25% ao longo do dia, mas fechou, no pregão da Bovespa, em alta de 5,68%
bem acima do índice Bovespa, que caiu 0,85% hoje.
O Bradesco quer usar o acesso gratuito à Internet como arma para atingir a meta de 10 milhões de clientes até 2001 - hoje, o banco tem 8,4 milhões de correntistas. Desde o anúncio da Internet gratuita, em 13 de dezembro, as ações preferenciais do Bradesco subiram 24,1%, mais que o dobro da alta de 9,9% do Índice Bovespa no período.
O serviço do Unibanco apresenta algumas vantagens em relação ao do Bradesco. O acesso terá número ilimitado de horas e não haverá obrigação de visitar a página do banco, como no caso do Bradesco.
O diretor de Tecnologia do Bradesco, Odécio Grégio, disse que, por enquanto, o Bradesco não planeja mudar seu serviço para enfrentar a concorrência.
O serviço do Unibanco só começa na segunda quinzena do mês, mas hoje aumentaram as visitas à página do banco, segundo o diretor da área de Internet, Carlos César Ruiz. O número de visitas à página subiu de 15 mil, em média, para 32 mil.
Entre os 3 milhões de clientes do Unibanco, 280 mil têm hoje acesso à Internet. "A idéia é aumentar esse número para 650 mil clientes internautas", diz Ruiz, que rebate as críticas dos provedores afirmando que o banco está "democratizando a Internet".
No Bradesco, o número de transações diárias pela Internet, que chegava a 200 mil antes do serviço gratuito, chegou a 270 mil na última segunda-feira. Dos 8,4 milhões de clientes, 870 mil usam a Internet.
O banco pretende elevar esse número para 1,5 milhão. O Bradesco lança amanhã um serviço de informações bancárias por correio eletrônico.
O mercado está entusiasmado com a iniciativa dos banco porque as transações pela Internet reduzem custos. Uma transação feita na agência custa cerca de R$ 1,23, incluindo gastos com empregados e aluguel, por exemplo. Por computador, não sai por mais de R$ 0,12.
O analista Bruno Zaremba, do Pactual, diz que o mercado vê novas possibilidades de receita para os bancos. "Daqui a algum tempo, os bancos podem separar a área de Internet e lançar ações em bolsa, por exemplo", diz Zaremba.
Também é possível que os bancos fechem associações com outras empresas ligadas à Internet, como portais, o que poderia render uma receita adicional. Zaremba lembra ainda que oferecer Internet grátis pode aumentar o número de clientes e facilitar a venda de produtos como seguros ou cartões de crédito.
Estrangeiros - Depois dos bancos brasileiros, o espanhol BBV também lançará o mesmo tipo de serviço. O projeto, coordenado pelo vice-presidente Carlos Bedia, será anunciado em 10 dias.
O Citibank, por enquanto, não estuda fazer o mesmo, mas já tem produtos, como informações bancárias por e-mail, com 9 mil clientes cadastrados.
Segundo o diretor do Citi Márcio Castro, os clientes do banco têm renda alta e não consideram tão relevante o custo dos provedores. "Dos nossos 140 mil correntistas, mais de 65 mil já usam a Internet para realizar suas operações bancárias".