Londrina - O ensino superior no Brasil vive um momento de transição nos processos para selecionar estudantes de cursos de graduação. Muitas universidades públicas já aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC), que considera o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para o ingresso dos alunos, parcial ou totalmente – no segundo caso, o processo elimina o vestibular.
Nas 17 instituições federais de ensino superior nos três Estados do Sul do Brasil, em sete o vestibular já foi substituído pelo sistema do MEC e/ou pela nota do Enem. Nas outras dez, o desempenho no Enem tem algum peso, seja na sua consideração como parte da nota final no vestibular ou com reserva parcial de vagas via Sisu.
Das quatro instituições federais do Paraná, duas já substituíram seus processos seletivos pelo Sisu ou pela nota do Enem: as universidades federais Tecnológica (UTFPR) e da Integração Latino-Americana (Unila). As outras duas reservam parte das suas vagas por meio do sistema do MEC. No último vestibular, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) destinou 26,18% das vagas para o Sisu. No Instituto Federal do Paraná (IFPR), foram reservadas 15% das vagas dos cursos superiores para o sistema.
Na Unila, que tem foco no intercâmbio acadêmico com os outros países da América Latina, os estudantes brasileiros em 14 dos 16 cursos de graduação são selecionados exclusivamente por meio do Sisu. Nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Música, a seleção se dá por meio da nota do Enem e por provas de habilidades específicas. A mudança ocorreu no processo seletivo de 2014.
Marcos Antônio de Moraes Xavier, pró-reitor de graduação da Unila, afirma que a universidade sempre utilizou o Enem nos seus processos seletivos, mas até o ano passado o que acontecia era que a nota era considerada dentro do processo seletivo próprio da instituição.
"A adesão ao Sisu é fundamental em primeiro lugar porque dá maior visibilidade à instituição, pelo fato de o sistema ser nacional. Outro ponto é que ele garante um acesso democrático ao ensino superior público. Por fim, o processo fica centralizado no Sisu, o que agiliza o cotidiano administrativo da instituição", argumenta Xavier.
A UFPR tem aderido gradualmente ao Sisu. No mais recente vestibular, destinou 26,18% das vagas para o sistema. No processo anterior, a reserva havia sido de 10%.
"Tivemos expansão de cursos neste ano, e esses novos entraram 100% no Sisu. Além disso, aumentamos para 20% a participação nos cursos que já existiam, exceto aqueles que têm provas de habilidades específicas e com seleção estendida", explica Maria Lúcia Accioly Pinto, coordenadora de políticas de ensino de graduação da UFPR. Ela aponta que por enquanto a universidade não tem planos de uma adesão total ao Sisu.
"Temos um processo seletivo reconhecido no Brasil inteiro, com bons resultados e segurança total. A seleção sempre teve para nós um cunho pedagógico, e não apenas de eliminar ou selecionar candidatos. Por isso não temos interesse em uma adesão de 100% (ao Sisu) por enquanto. Somos uma universidade do Paraná e atendemos o Estado. O Sisu ‘abre’ para o País inteiro. Não que sejamos contra, mas entendemos que devemos priorizar a comunidade do Paraná", justifica a coordenadora.
Jesualdo Pereira Farias, reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), acredita que a adesão gradual das instituições federais ao Sisu vai se intensificar. "Já a partir do próximo ano, deveremos ter um avanço significativo (na utilização do Enem como forma de seleção para o ingresso de estudantes). O Enem e o Sisu já se consolidaram como processos que superaram os problemas que tiveram no início", diz o reitor.
Bárbara Melo, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), defende essa alternativa. "Acredito que todas as faculdades públicas devem adotar o Enem, pois é muito desgastante fazer mais de uma prova para as faculdades", argumenta. "Devemos ter um sistema articulado não só de ingresso como de lógica de educação e formação."

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