Curitiba- Proibir ou não? Até que ponto é impróprio? Como lidar com isso? A internet chegou ao mundo das crianças e adolescentes como meio de entretenimento e também com foco educativo. Porém, o rompimento das barreiras da comunicação também facilitou bastante o acesso a conteúdos considerados por muitos inadequados à idade, como sites e salas de bate-papo relacionados a sexo. E censurar ou não os filhos é o que muitos pais se perguntam. Alguns especialistas defendem que não adianta proibir. Já outros acreditam que a repressão no mínimo atenua o problema do ''amadurecimento precoce''.
As crianças e os adolescentes vivem uma fase de descobrimentos. E, nessa idade, tudo o que é proibido é mais atraente. Esse é um dos argumentos que o historiador, pedagogo e pesquisador do Laboratório de Pesquisa Infância, Imaginário e Comunicação (Lapic) da Universidade de São Paulo (USP), Claudemir Edson Viana, usa para defender que o problema não é o conteúdo, mas sim a falta de acompanhamento dos pais. Viana, que também é mestre em comunicação pela USP e vai defender a tese de doutorado ''A Integração da Criança com a Internet e Jogos Digitais'' também na USP, diz que os pais precisam atuar como mediadores e não simplesmente como proibidores. ''Os pais devem debater e problematizar o conteúdo que os filhos querem ter acesso. E se for proibir alguma coisa é preciso negociar antes e não vetar sem explicações. A solução está na educação'', afirmou Viana em entrevista à Folha.
Porém, para alguns, os pais nem sequer têm conhecimento do que os filhos estão vendo na internet. E foi isso que pensou o deputado federal do Paraná, Hidekazu Takayama (PMDB), quando apresentou, no ano passado, um projeto de lei que prevê a veiculação de mensagens de alertas em salas de bate papo sobre sexo e a obrigação dos provedores de internet de mandar todo mês um relatório a quem paga a conta dos sites acessados. Isso, segundo ele, seria uma forma de mostrar aos pais, que muitas vezes nem sabem mexer na internet, por onde seus filhos navegam. ''Esse tipo de informação encontrada nessas salas e sites não são verídicas. E se não há um alerta, as crianças e adolescentes aceitam como normal. São mensagens deformantes'', entende. O projeto de Takayama está agora tramitando pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal.
O psiquiatra e professor de três universidades, entre elas a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Saint Clair Bahls, diz que o controle é importante, pois informações em desacordo com a maturidade da criança é desfavorável para a formação do caráter. ''Os pais precisam mesmo exercer um controle. Caso contrário, começará a ser cada vez mais comum gravidez ou início da sexualidade precoce, entre outras coisas. Talvez uma lei não seja a solução, mas ficar atento ao conteúdo que o filho acessa de alguma forma é necessário'', defende o psiquiatra. Para Bahls os pais precisam conviver mais com os filhos e manter a autoridade, monitorando e impondo limites.

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