Acesso à educação é desafio para cegos no Brasil - Acessibilidade
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domingo, 05 de abril de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina De acordo com dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 506 mil cegos. O Paraná possui a sexta maior população de pessoas que não conseguem "enxergar de modo algum", de acordo com o estudo. São 26.155 pessoas nesta condição. O ranking é liderado por São Paulo, com 0,35%, seguido pelo Rio de Janeiro (0,33%); Ceará (0,29%); Rio Grande do Sul (0,27%) e Distrito Federal (0,25%).
Mesmo com avanços nas últimas décadas, especialistas relatam muitos problemas que precisam ser superados. Um ponto ainda distante para os cegos é o acesso fundamental à educação. De acordo com estudo científico da Universidade de Brasília (UnB), a maioria dos cegos do Brasil (74%) é analfabeta, incluindo os que não sabem ler em braille, ou outro método, e os que não possuem certificação escolar. Por outro lado, 13% concluíram o ensino médio e 11% os ensinos básicos e fundamental. Apenas 2% concluem a graduação ou algum tipo de pós-graduação. Segundo o Núcleo de Acessibilidade (NAC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), não há um cego sequer nos cursos de graduação da instituição.
INFRAESTRUTURA
A falta de infraestrutura é outro grande entrave para a acessibilidade. Prédios não adaptados, calçadas deterioradas, falta de piso tátil, informações precárias em sistema de transporte. A lista de reclamações é grande e os problemas, comuns quase que a todas as cidades. Enquanto em Londrina o professor Junio César Alonso, de 43 anos, se queixa da quantidade insuficiente de piso tátil e da falta de conscientização da população, a indignação do diretor da Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (Adevipar) Gastão Junior Voltas, de 32 anos, é que o sistema de áudio dos ônibus de Curitiba apenas emite o alerta de "porta aberta", mas não informa qual a linha. "Às vezes param três ônibus e não sei qual pegar, tenho que perguntar. Acessibilidade é você conseguir se locomover sozinho", critica.
Voltas relativiza as aparentes melhores condições da capital em comparação às cidades do interior. "O centro é impecável, mas saiu de lá a coisa complica. É preciso um tanto de coragem, pois é perigoso caminhar sozinho", avalia. "A preocupação com as calçadas não é prioridade nem para os moradores, nem para o poder público, que deveria fiscalizar melhor", completa.
Já em Londrina, Alonso lembra que as calçadas são um problema crônico da cidade. "É cultural, não há respeito com os pedestres de forma geral, quanto mais com os deficientes. A população deve se atentar que o piso tátil não é para se colocar mercadorias, estacionar veículos. São vários absurdos", denuncia.
O assessor para assuntos especiais da Prefeitura de Londrina, Almir Escatambulo, informa que a principal reclamação dos cegos é em relação ao Terminal Central. Segundo ele, alguns dos pisos táteis foram colocados fora do padrão. "É uma reivindicação pontual que estamos atendendo na reforma do terminal", garante. Além disso, o assessor ressalta a falta de conscientização dos usuários do terminal, que param sobre as faixas. "É claro que em horas de pico é complicado, mas a orientação é para que deixem a faixa livre para que os deficientes visuais possam transitar sem problemas".
DIREITOS
Para Escatambulo, os direitos dos deficientes ganharam muitos avanços nos últimos anos, mas ele admite que ainda existem muitos estágios a se atingir. "O ideal será quando a cidade tiver uma legislação específica para as questões de acessibilidade. Estamos lutando por isso", diz. A maior dificuldade, de acordo com o assessor, é fazer adaptação dos prédios públicos antigos. "Muitos são tombados, como a Biblioteca Pública, ou o Museu Histórico. Nestes casos precisamos de projetos que causem o mínimo impacto possível". Sobre as calçadas, ele admite dificuldades na fiscalização. "Desde 2013, a obrigatoriedade do piso tátil se estendeu do quadrilátero central para toda a cidade, mas temos um número reduzido de fiscais para monitorar todas as obras", reconhece.



