Dezoito entidades de Londrina lançaram ontem um abaixo-assinado a favor da reserva de vagas para estudantes de escolas públicas e afrodescendentes na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O documento deverá ser entregue pessoalmente ao procurador-Geral da República, Cláudio Fontelles.
Essa é a primeira reação concreta das entidades defensoras das cotas contra a ação que o procurador da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, pretende mover contra a reserva de vagas. Leite entende que o sistema é inconstitucional, pois fere o princípio de igualdade de direitos. Ele quer impedir que a reserva de 40% das vagas da UEL vigore a partir do vestibular de 2005.
A maior parte das entidades é ligada a movimentos negros, estudantis e sindicais, entre eles a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Afro-Brasileira (Aabras), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e os sindicatos dos Bancários e dos Servidores Municipais de Londrina. Segundo Jorge Custódio, presidente do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina - outra entidade envolvida - a expectativa é recolher no mínimo 5 mil assinaturas.
''O documento é em defesa das cotas, que foram aprovadas pelo Conselho Universitário. Esperamos sensibilizar o Ministério Público Federal (MPF) a promover uma discussão com a sociedade, já que aqui em Londrina o procurador se fechou aos debates'', alegou. Custódio afirmou que as entidades esperam conseguir uma audiência com Fontelles até a próxima semana. Pelos próximos dias, o abaixo-assinado estará disponível no Diretório Central de Estudantes (DCE) e em outros pontos da UEL, além do Calçadão de Londrina.
A presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Vilma dos Santos, acredita que a questão das cotas compete ao Ministério Público estadual, e não ao federal. Ontem à tarde, representantes das entidades se reuniram com o promotor de Direitos e Garantias Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, para saber sua posição. ''O sistema de cotas é absolutamente constitucional porque visa corrigir uma distorção, uma desigualdade social'', disse o promotor. Tavares afirmou também que quer ''somar com o movimento, que é extremamente legítimo''.
''Ficamos bastante satisfeitos com esse encontro'', garantiu João Lino, da Abras e do Conselho Municipal da Comunidade Negra, apesar das entidades terem conseguido apenas o apoio pessoal do promotor Paulo Tavares. ''O promotor deixou claro que a questão das cotas vem de encontro com uma constituição de uma sociedade igualitária'', completou Lino.
Ao final do encontro, os representantes das entidades anunciaram o próximo passo, uma vigília em frente ao Ministério Público marcada para a próxima quinta-feira, dia 26, a partir das 17 horas. ''Não vai ser um ato em massa e sim um ato simbólico'', avisam.(Colaborou Karla Matida)

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