Rampas, ônibus adaptados, vagas de estacionamento especiais e cadeiras reservadas. A acessibilidade é um dos principais avanços comemorados por entidades paranaenses na Semana de Luta das Pessoas com Deficiência, que começou ontem, com atividades em todo o País. Apesar das áreas e estruturas físicas adaptadas e a inclusão das pessoas com deficiência nos serviços de educação e no mercado de trabalho, o preconceito e a falta de conscientização ainda impedem a igualdade.
"Quando nós vamos no supermercado ainda encontramos as vagas de cadeirantes ocupadas por carros sem a identificação de deficiente físico. No ônibus, os passageiros também não dão lugar", reclamou Maria Aparecida Rosário de Souza, mãe do jovem Jorge Luiz de Souza, 31 anos, que é atendido pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Londrina.
Moradores da zona norte, eles usam o transporte coletivo para ir ao médico e passear pelo Calçadão, no centro, local preferido de Jorge para o lazer. Ele é atendido desde os 7 anos pela Apae por causa da paralisia cerebral, diagnosticada antes do primeiro ano de vida. "Neste período, a acessibilidade avançou bastante. Por muitos anos, tive que levar meu filho para Apae no colo, pois o ônibus não era adaptado. O transporte coletivo melhorou e existem rampas de acesso, mas ainda falta respeito quando as pessoas ocupam os locais reservados para pessoas com deficiência. Infelizmente, o preconceito existe", afirmou.
Jorge gosta muito de ouvir música, jogar e navegar pela internet no computador. Segundo a mãe, o atendimento da Apae colaborou no desenvolvimento da autonomia do rapaz. "Ele se alimenta sozinho e toma banho no espaço adaptado com pouca necessidade de ajuda. Isso é importante para autoestima dele", comentou Maria, contando que o filho tem uma namorada. "Eles estão junto há quase sete anos. As famílias marcaram um encontro e eles passaram a conviver mais tempo juntos. Ele gosta muito da companhia e de conversar com ela", acrescentou a mãe.
A diretora da Apae Londrina, Daniela Von Stein, afirma que os avanços foram importantes, principalmente nos últimos anos, mas avalia que ainda existe a necessidade de melhorias para aprimorar a qualidade de vida e o atendimento das pessoas com deficiência. "A inclusão não é só na escola e na saúde. É preciso avançar em outras áreas como mobilidade urbana, lazer e esportes. Por exemplo, em Londrina não temos um parque ao livre com estrutura adaptada para pessoas com deficiência", analisou.

CONFERÊNCIA

O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência realiza no próximo sábado a Conferência Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a partir das 8 horas, na Câmara Municipal de Londrina. O assessor de acessibilidade, Almir Escatambulo, afirmou que os orçamentos públicos e investimentos na área serão um dos principais temas debatidos no evento. As inscrições foram abertas ontem e vão até quinta-feira e podem ser feitas das 8h às 18h na sala da Assessoria de Acessibilidade, no segundo andar do prédio da Prefeitura de Londrina.

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