Acertada cotação máxima do dólar para reajuste de remédios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Sônia Cristina Silva e Sandra Sato 
Brasília, 05 (AE) - Governo e indústria farmacêutica acertaram hoje (05) o valor máximo da cotação do dólar a ser usado exclusivamente pelos fabricantes para calcularem reajustes de remédios que levem em sua composição matéria-prima importada.
O secretário de Acompanhamento Econômico, Claudio Considera, fechou com representantes dos laboratórios como será o aumento escalonado dos remédios nos meses de março, abril e maio. Em fevereiro não haverá aumento.
Pelo acerto, as indústrias poderão aplicar um reajuste usando a taxa de câmbio de R$ 1,36, em março. Mas esse valor somente será considerado para o cálculo dos aumentos dos gastos com insumos importados empregados na fabricação do medicamento. Em abril, a taxa máxima do câmbio aceitável será de R$ 1,52. E, em maio, poderá alcançar R$ 1,70.
Essas cotações não serão necessariamente iguais à real flutuação do câmbio no mercado, nesses meses. Para chegar a esta cotação específica do reajuste dos medicamentos, governo e fabricantes arbitraram os valores considerando a cotação do dólar antes da desvalorização do real (R$ 1,20) e uma taxa de variação máxima fixada aleatoriamente em R$ 1,70.
"É uma reposição de custos devido à desvalorização do real e, como não sabemos a cotação do dólar que vai vigorar nos próximos meses, estabelecemos um limite máximo", explicou Considera, avisando que o acordo não prevê elevação da margem do lucro. Os aumentos, observa, não deverão ser muito altos porque incidem unicamente sobre a parte de insumo importado que compõe o remédio.
Na média, conforme o secretário, apenas 20% da produção dos laboratórios têm componentes importados ou são totalmente importados.
Segundo ele, ainda, os medicamentos que são totalmente importados vão poder recuperar o valor do custo da desvalorização do dólar em duas vezes. Com o fechamento do acordo, alguns laboratórios retiraram listas que já haviam enviado às farmácias com novos preços que passariam a ser cobrados neste mês.


